O
quadro abaixo classifica os quatro Modelos de Ação Pastoral. Mais à frente,
serão relacionados com os critérios.
Vimos
que o conceito de Pastoral se realizou em estreita relação com a história da
eclesiologia. A ação da Igreja ordenou-se tendo como referência diversos
conceitos eclesiológicos e situações históricas.
Ao
falar de modelos de pastoral, falamos de uma ação da Igreja estruturada e
ordenada em torno de ideias básicas. A Igreja precede qualquer modelo
concreto de ação pastoral e não é o resultado de qualquer modelo. Eles ajudam
a descobri-la. Não podem deixar de estar presentes:
-A
palavra de Deus, a fé, a conversão e o batismo;
-A
Eucaristia, a reconciliação, a solidariedade e a oração;
-Os
Carismas, as tarefas, a participação de todos e a autoridade do Senhor;
-O
pluralismo.
As
dimensões da ação pastoral são quatro: a
liturgia, a comunhão, o anúncio evangelizador e o serviço aos homens.
Cada
um dos modelos sublinha uma dimensão. Tanto os modelos como os critérios não
são fechados, podem transferir-se elementos de uns para os outros, como
mostra a tabela apresentada.
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Modelo tradicional
(pastoral tradicional
caraterizada pela prática sacramental)
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Modelo Comunitário
|
Modelo Evangelizador
“Nova Evangelização”
|
Modelo Libertador
(nasce
da teoria da libertação, inicialmente na América Latina)
|
·
É o modelo que tem potenciado mais diretamente a
ação litúrgica
·
Tem configurado uma Igreja que encontra no culto
o seu principal campo de ação
·
Nele a Igreja compreendeu-se e atua num mundo
sociologicamente cristão. O cristianismo era um dos meios para o
desenvolvimento e o crescimento do homem.
·
Uma cultura cristã que transmite elementos e
valores da fé àqueles que viviam nela.
Têm três
consequências fundamentais para a vida da igreja:
- A
preocupação exclusiva pela vida interior
- Uma
segurança de alimentos adquiridos que libertava a Igreja de tarefas
evangelizadoras
- Um reconhecimento
social que facilitava à Igreja a execução das suas ações e não apresentava
uma atitude excessivamente critica perante as mesmas.
Parte-se de
uma imagem da Igreja como sociedade perfeita que tem em si mesma todos os
meios para obter os seus fins.
Encontra-se
estratificada em figura piramidal e compreende o protagonismo na ação
pastoral. À medida que se vai descendo na pirâmide diminui a importância da
obra, cresce a passividade e a falta de responsabilidade, e cresce a
obediência.
Demasiado
perfeita que se distancia do reino.
Proposta pastoral
ü Forte
dualismo antropológico
ü Conceito de salvação
espiritual
ü Centra a sua
ação pastoral na parte espiritual do homem
ü A ação
pastoral proposta é a de cura animarum
realizada através da sacramentalização.
ü O homem é
encarado na sua individualidade e não nas diversas dimensões sociocomunitárias.
A ação pastoral é representada
ativamente pelos sacerdotes e recebida passivamente pelos leigos.
Ação
pastoral
As ações
fundamentais são as de culto sacramental;
Tem a
paróquia como plataforma de realização;
A ação
catequética é entendida na sua relação com os sacramentos que se vão receber;
A pastoral
da Palavra situa-se no mesmo contexto das missões, exercícios espirituais,
cursos, retiros, com o objetivo fundamental de levar aos homens os
sacramentos, favorecido pela prática da vida pastoral comunitária.
A caridade
entendida de modo assistencial corresponde à ação individual ou associada a
algumas estruturas eclesiais.
Conclusão
Os aspetos
antropológicos são pouco considerados;
A prática
cristã consiste numa ética derivada das normas canónicas e centrada na prática
sacramental: como se confessar, celebrar a missa, fazer oração. Goza da
reciprocidade tanto para o sacerdote como para o leigo.
Critérios de ação pastoral com os quais se
relaciona:
(CCMC) Critério Sacramental: o papel da Igreja é dar visibilidade à ação de
Deus na história e carateriza-se por ser um meio eficaz de salvação no mundo.
·
Legenda:
·
CCMC:
Critérios que brotam da continuidade da missão de Cristo
·
CCR:
Critérios que brotam do caminho para o Reino
·
CPMM:
Critérios que brotam da presença e missão no mundo
|
·
Surge no Concílio do vaticano II: uma Igreja que
se entende como comunidade;
·
O
reconhecimento das comunidades eclesiais como meio de viver a fé;
·
Responde à massificação colocada pelo modelo
tradicional: a conceção das paróquias como esquemas rígidos e a perda do
caráter sociológico sobre o qual assentava a paróquia e a comunidade pastora,
sobretudo no meio rural;
·
A massificação torna possível uma pastoral
administrativa, mas não é a realidade comunitária, onde estão ausentes os
laços afetivos.
·
Desejo de renovação e de comunhão das
comunidades;
As ideias
básicas que a sustentam partem das conceções eclesiológicas assumidas no
Conc. Vat. II e são:
-A conceção
da Igreja como um mistério de comunhão que tem a sua origem no mistério de
Deus;
- A Igreja é
para o mundo e a testemunha a missão legada por Jesus.
Tal leva à
comunidade uma estrutura pastoral que permite viver na autenticidade da fé.
A renovação
das estruturas da Igreja leva a que a comunidade seja unida por fortes laços
sendo possível a partilha de bens e de compromissos comunitários.
A Paróquia é
entendida como uma comunidade. A plenitude do ser Igreja dá-se na Igreja
diocesana. Dá origem à Igreja universal, de troca de bens entre as dioceses e
a preocupação para todas as Igrejas
Planeamento pastoral
ü A edificação
da Igreja com base na pequena comunidade, para toda a Igreja, e fazer de cada
comunidade uma célula da Igreja.
ü O que vai
dar origem à classificação por diferentes tipos de comunidades, todas tendo
em comum a renovação e a experiência da fé, com realizações que podem ser
diferentes.
ü O encontro
com a Igreja torna-os comunidade universal e aberta.
Ação pastoral
A pequena
comunidade cristã transforma-se num sinal de salvação que realiza e mostra o
poder transformador do amor.
A forte
intensão de evangelizar e a Palavra de Deus como fonte e origem de toda a evangelização.
A liturgia é
própria, com adaptações, sendo frequente o envolvimento na escuta e meditação
da Palavra.
A
participação de todos os membros na vida da comunidade.
A vida
comunitária potencia ministérios, que são reconhecidos e emergem das necessidades
reais da comunidade.
A ação
pastoral é construída em conjunto pela comunidade.
|
·
Refere-se ao primeiro anúncio do Evangelho, que
provoca uma adesão a Cristo e à igreja por parte de quem o escuta, daí a
envolvente de todos os membros da pastoral, da vida e ação eclesial.
·
Igreja concreta pela qual a Espanha optou; João
Paulo II fala de segunda evangelização.
·
O cristianismo sociológico não mostra uma
autenticidade da fé e uma realidade pobre da vida eclesial (doutrina, culto e
testemunho).
·
Manifesta-se numa ampla sacramentalização (os
sacramentos como costume social) e a uma ação pastoral reduzida apenas a
algumas áreas da vida.
·
A pobreza e a marginalização questionam se estas
também são um sinal do Reino.
As ideias
eclesiológicas básicas são a missão como autenticidade da comunhão e a
natureza sacramental, que estão na génese deste modelo.
Abertura da
Igreja ao mundo para a qual é entendida como um sacramento de salvação.
Os homens
são os destinatários da sua ação:
ü A Igreja
respeita a autonomia dos homens e do mundo
ü O diálogo na
conceção antropológica
ü O serviço a
cada pessoa
ü A
participação
ü O
pluralismo. Os cristãos escolhem a partir da fé quais as questões do mundo
que melhor se adaptam à sua consciência.
Planeamento
pastoral
v Preocupação
com a evangelização efetiva: uma reevangelização dos cristãos e iniciação
cristã que servem para uma fé madura e autêntica.
v É necessário
romper com a pastoral de subsistência e deixar os saudosismos.
v A missão da
Igreja realiza-se em cada momento e no mundo em que vivemos, o plano de
salvação destina-se a todos.
v A Igreja
sacramento implica uma sintonia maior com os problemas do Homem, do mundo e
uma maior proximidade.
v A Igreja
deve mostrar todo o seu valor profético.
v A unidade da
Igreja em torno da evangelização é compatível com o pluralismo e a comunhão.
v A unidade
deve levar a uma pastoral de conjunto para toda a Igreja.
Ação pastoral
Verdadeira
celebração dos sacramentos e recuperação do catecumenado;
Fortalecimento
da missão nos ambientes mais afastados da vida da Igreja: cultura, trabalho e
a juventude, os atentados contra a vida e as diversas formas e exploração.
A promoção
da participação do laicado e dos movimentos apostólicos.
A
participação em locais e plataformas empenhados nas mudanças das estruturas
sociais;
A presença
pública da Igreja e o testemunho.
Dar
importância à religiosidade popular e o fortalecimento da conversão das
instituições.
Critérios de ação pastoral com os
quais se relaciona:
(CCMC) Critério de Conversão: possibilita que os indivíduos e instituições
sejam mais conformes ao projeto de Deus, de modo a superarmos a distância em
relação a Cristo, em que nos colocam as nossas fragilidades, pecados e angústias.
Carateriza-se por uma ação pastoral capaz de operar uma transformação
profunda no coração dos crentes e despertar o desejo cada vez mais profundo
de seguir a Cristo.
(CPMM) Critério da encarnação:
permite-nos conhecer o outro e encetar o diálogo com ele.
O Evangelho em diálogo com a cultura produz
cultura cristã.
|
·
Libertação daquilo que escravizava o ser humano,
como sinal da presença do Reino;
·
Apoia-se na leitura do Conc. Do Vat. II que vê no método teológico da Gaudium et Spes o compromisso
social e cristão dos membros da Igreja como parte constitutiva da
evangelização, recorrendo às ciências sociais.
As ideias
eclesiológicas básicas são:
-A igreja é
percebida como sacramento de união entre Deus e a humanidade, e dos homens
entre si;
-O valor
eclesiológico das Igrejas locais, a partir das quais emerge a Igreja na sua
plenitude;
-A distinção
entre Igreja institucional e o Reino de Deus, a Igreja ao serviço do Reino;
-O diálogo
com o mundo para a criação de uma sociedade mais justa na qual todos possam
ser felizes.
- Estas
ideias têm servido de base para o desenvolvimento teórico e prático da
pastoral da “teologia da libertação”.
Planeamento pastoral
ü A tomada de
consciência da situação social em que se exerce a evangelização de modo a
tornar eficaz o anúncio da salvação;
ü A tomada de
consciência da situação é uma opção pastoral;
ü O anúncio da
salvação é o tema central;
ü A eficácia
implica objetivos e meios (as escolhas a partir das quais é compreendida a
força libertadora do Evangelho).
Ação pastoral
v Coloca a
catequese (formação) como a fonte de toda a praxis libertadora: forma de tomar consciência do pecado e da
situação de graça;
v A atitude
profética manifesta-se na sociedade e nas condições sociopolíticas que urge
transformar;
v O modelo
libertador situa-se em comunhão com a Igreja institucional, que deseja
transformar.
v Postula que
os cristãos o transformem concreto que possa ser mediação na instauração do Reino.
v O povo de
Deus assume a missão de transformar a sociedade e fazer do Evangelho a força
libertadora;
v Tal acontece
nas comunidades.
v As
comunidades são a base e não a Igreja construída de cima, nas pessoas e
através dos seus carismas, dons e mistérios.
v A Igreja é
evangelizadora e evangelizada ao mesmo tempo: o evangelho transforma quem o
recebe e quem o transmite, sem o qual seria um mero serviço de interesses.
v Esta pastoral libertadora faz uma opção pelos
pobres, para que haja uma consciência crítica, em sintonia com o evangelho
que também se manifesta por intermédio dos pobres.
v A liturgia
também está muito ligada a este ideal de libertação, porque Cristo é o
caminho para a salvação, onde a religiosidade popular assume importância, na
sua simplicidade.
Critérios de ação pastoral com os
quais se relaciona:
(CCMC) Critério Teândrico: mistura da ação humana com a ação divina, de
igual forma, sem preferir uma em detrimento da outra, sendo possível continuar
a missão de Cristo na Igreja.
(CCR) Critério da historicidade: ter consciência de um passado, um presente e
um futuro permite-nos analisar a realidade e entender onde podemos intervir e
melhorar . A ação pastoral é marcada pelo dinamismo da história o ser
peregrino uma dimensão fundamental da Igreja.
(CCR) Critério de abertura aos
sinais dos tempos:
Relaciona-se com a permanente atitude de
sentinela e de discernimento.
(CCR) Critério de universalidade: a ação
da Igreja incorpora todos os homens na universalidade da salvação. A missão
da Igreja é levar a salvação a todos e fazer de todos agentes da ação
pastoral.
(CPMM) Critério de diálogo (toda a
linguagem de fé entendida pelo homem na atualidade): Toda a ação pastoral está ao serviço da ação de
Deus, capacidade mediante a qual a Igreja é mediadora de Cristo.
(CPMM) Critério de missão: a ação pastoral continua a evangelização de
todos, tendo como fim último a unidade, a comunhão da Igreja e de todos os
crentes.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Modelos e Critérios de Ação Pastoral
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Isso mesmo, tanto os modelos como os critérios não são fechados, devendo haver presença e articulação entre eles.
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