sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Teoria e Prática da Ação Pastoral


O documento diz-nos que os Evangelhos, à luz da atualidade, não são documentos históricos ou relatos bibliográficos de Jesus, mas antes testemunhos e confissões de fé, nascida da influência pessoal das primeiras comunidades. Foram proclamações de narrações em comunidade, para fazer vir a presença contínua de Jesus e relatos da prática pascoal levada a cabo por Jesus. São ainda documentos pastorais e a experiência exegética procura esclarecê-los do ponto de vista das suas funções pastorais.
A atividade de Jesus é relatada como prática ou ação pastoral paradigmática.
Cristologia e ação pastoral: a fé expressa-se de acordo com as imagens que se dão de Jesus Cristo, da ação pastoral e da reflexão teológica, dependendo da educação cristã familiar, da catequese recebida, da formação religiosa escolar, prática eucarística e dos cursos de formação teológica, dos lugares sociais e fatores culturais, lugares de transmissão de diferentes interpretações de Jesus e do cristianismo. Ao longo da vida, as nossas representações de Jesus evoluem.
Imagens de Jesus na ação pastoral: a ação pastoral depois da II Guerra Mundial dá-se de duas maneiras, a cristologia ascendente e descendente. A descendente, dedutiva, ontológica, dogmática dá lugar a uma Igreja centrada na problemática interna e Cristo como a 2.ª pessoa da Trindade, consubstancial ao Pai. Jesus converte-se em sinal de resignação, em muitas ocasiões é substituído pela imagem religiosa da cruz, a crucificação é consequência do pecado original da humanidade e da perfídia do povo judio.
No séc. XIX inculca-se a imagem de Jesus obediente e resignado, submetido aos decretos do Pai. A rebeldia, a exploração, reivindicação social e crítica aos poderes estabelecidos é sinónimo de pecado. Ao cristianismo toca obedecer e levar a cruz. O cristão, imitação de cristo, deve sofrer. A missa é quase entendida como o santo sacrifício, a mesa como altar e Jesus como a vítima, a causa da sua função expiatória.
A imagem de Jesus Cristo-Rei: serviu para justificar o poder de diversos regimes políticos conservadores, inclusive ditatoriais, quando a Igreja era religião do estado. A festa do Cristo-Rei, instaurada por Pio XI, em 1925, aparece num contexto social e político de uma Igreja defensiva frente a uma sociedade laica, anticlerical, socialista e republicana (nascida da implantação da República). Jesus também foi entendido como o revolucionário que instaura o reino de modo violento, e serviu de justificação de guerras, cruzadas e guerrilhas. A sua imagem teve uma função legitimadora de certos interesses económicos e políticos.
Cristologias pastorais: as cristologias ascendentes ou indutivas têm em conta o processo genético que seguiram os apóstolos desde Jesus de Nazaré ao Cristo ressuscitado. Têm caráter sociopolítico, fundamentam-se numa teologia positiva, numa exegese renovada da Bíblia e numa apreciação da evolução da história e dos seus problemas da sociedade. São sensíveis à dimensão social e política dos relatos evangélicos. Importa conhecer a vida concreta de Jesus a partir da sua humanidade e da sua própria história humana. Relacionam a memória de Jesus crucificado com a crucificação atual do povo e a mensagem evangélica libertadora com a situação do cativeiro. Frente à figura libertadora surgiu a conservadora e evangelizadora. O reino de Deus é o reino dos pobres. O Deus do reino a quem Jesus se dirige como Abba, é pai de todos; A morte violenta de Jesus pelos nossos pecados, ao descobrirmos a paixão de Jesus pelo reino e a sua justiça, descobrirmos que a morte de Jesus não é glorificação de um sofrimento, e as consequências da sua paixão para a justiça.
O povo cristão confessa a sua fé em Cristo ao longo dos séculos, apenas mudou as suas imagens iconográficas de acordo com certas influências culturais, afirmações conciliares, sínteses catequéticas, rituais litúrgicos e livros devocionais.
Um Jesus deduzido dos evangelhos literalmente entendido: Até ao Vaticano II o povo católico apenas conhecia a Bíblia sem uma adequada catequese. Somente tinham um certo conhecimento bíblico os membros dos grupos bíblicos e apostólicos. Eram entendidos pelo povo como relatos históricos dos feitos tal como sucederam e como meras biografias de Jesus. Dentro do Evangelho atraem poderosamente os milagres, que impressionam o povo porque necessita deles. O cristianismo é visto como a religião dos milagres e Jesus é para o povo o senhor dos milagres.
Um Jesus que no fundo é só Deus: Os olhos de Jesus são os olhos de Deus que vê e atua através de Cristo. Jesus é para o povo o Deus omnipotente e omnipresente.
Um Jesus que padece para dar-nos o exemplo: a cruz surge como o instrumento da vitória sobre a morte, o pecado e o demónio. No séc. XI propagam-se nas igrejas românticas as cruzes de Cristo de tamanho real, o triunfo, a serenidade do seu rosto, o sossego do seu corpo, lado a lado com representações de Cristo dorido e de olhos suplicantes, que representa o camponês pobre, os doentes, desamparados e os escravos: O Cristo sofredor, moribundo, marginalizado e condenado torna-se o centro da religião dos oprimidos, contrasta com o Cristo modelo de paciência, de resignação e de obediência. O sofrimento é o castigo de Deus e a consequência do pecado original.
Um salvador que expia os pecados e nos dá o céu: o mundo enquanto “vale de lágrimas” termina com a morte a partir da qual há salvação. Jesus abre-nos as portas do céu. O seu exemplo é válido para nos arrependermos e não pecar. Para isso devemos comportar-nos de acordo com os mandamentos, frequentar os sacramentos, alcançar uma boa morte e entrar no céu, vivendo em graça permanente.
Modelos de Jesus na sua prática pastoral: os modelos do seu comportamento pastoral relatados pelos evangelhos tendo em conta alguns dados sobre a situação do judaísmo nos tempos de Jesus. È objeto de fé como ressuscitado, Messias, senhor, Salvador e Filho de Deus. Há o perigo de uma interpretação dogmática ou redutora à sua condição histórica esquecendo o acontecimento da Páscoa.
  1. Modelos de Jesus derivados da sua atuação, dos seus feitos e ditos: Jesus não foi sacerdote do templo, porque não se coaduna com o modelo. A Tora é a lei judia interpretada pelos sacerdotes e escribas. O sumo sacerdote presidia o senedrim e o culto. A sua dignidade dependia do seu estatuto económico, era uma pessoa impopular, ajudada pelos chefes dos sacerdotes, familiares e amigos, encarregados do culto, da manutenção do templo e da tesouraria (os judeus ao longo da história estão sempre muito próximos dos valores económicos). O sacerdote ocupava-se dos sacrifícios e o sacerdócio era hereditário. Jesus ironiza-os na parábola do bom Samaritano e atacou os sacrifícios. Apela a que Jesus não está só no templo mas em todas as partes e introduz a caridade com os pobres. Orou no campo, nas montanhas e junto ao mar. Para Ele não há separação entre o espaço sagrado e o religioso já que tudo é santo por ser criação de Deus. O tempo novo será a humanidade. Somente na carta aos Hebreu é chamado de sacerdote. É o mediador entre Deus e os homens. A sua morte é a entrega de amor total. Jesus diz-se semelhante aos que sofrem, chegou à morte por amor à justiça e entregou-se como fidelidade a Deus. A confiança no cristianismo não deve pôr-se nas instituições nem nos rituais, mas na cruz de Cristo como revelação do amor de Deus e da reconciliação da humanidade. O essencial é Cristo, o único sacerdote. Deus quer o amor e a vida. O ritual cristão abarca toda uma vida entregue aos irmãos e à verdade.
  2. Jesus não foi escriba da lei: os escribas eram uma mistura de teólogos e juristas, herdeiros dos profetas e era  necessário estudo para conhecer a lei e as tradições orais. Só tinham os estudos e maturidade completos para exercer aos 40 anos. Vestiam uma veste especial e ocupavam a presidência em qualquer ocasião. Eram saudados e louvados pelo povo. Presentes no senedrim, a maioria eram fariseus. Guias espirituais do povo, promoviam a fé em Deus e ajudam a cumprir a sua vontade mediante as regras de pureza. Depois da catástrofe de 70 desaparecem os templos e aos sacerdotes sucedem-lhe os escribas e rabinos, convertidos em chefes religiosos do judaísmo. Jesus não se limita a ensinar nas sinagogas e instrui em qualquer parte, ao ar livre, nas praças e junto ao mar. Entre os seus discípulos há mulheres e crianças, pecadores, gente do campo e pescadores. Jesus ensinou de acordo com a tradição judia, através de parábolas, sentenças, instruções e controversas. A sua autoridade deriva de si mesmo. Os evangelhos assinalam a distância Jesus e a lei judia ou tora. No tempo dos macabeus muitos judeus morreram por defender a guarda do sábado, a circuncisão e as escrituras.
  3. Jesus foi profeta do reino: só assim denominado nos evangelhos. Mas foi detido e condenado como falso profeta. Não é profeta nacionalista ou apocalítico. É escatológico perseguido, que reclama a vinda do reino de Deus, numa fidelidade absoluta à sua missão e liberdade.
Dimensões da prática em continuidade com Jesus: Mensagem escatológica de Batista, Jesus é o profeta do reinado iminente de Deus. A sua palavra e a sua obra nele se centram. O seu legado é a salvação dos pobres, pecadores e enfermos. A missão de Jesus é proclamar a boa notícia. O vocabulário da salvação é próprio do judeo-cristianismo de tipo helenista. A ideia de Deus como rei é anterior aos judeus, que esperavam que Deus viesse a reinar para repor a verdade e a justiça. Israel encontraria a sua verdade e independência e viveria em paz. A liberdade política frente à opressão romana, a justiça social, a paz e o bem-estar. 
Para os romanos deveria dar-se a cada um segundo as leis. Jesus entra em conflito porque defendia os oprimidos, pobres, marginalizados e ignorantes. Os protagonistas do reinado de Deus são os pobres, os que sofrem, os submetidos e os perseguidos. Para mostrar que está presente Jesus promove a solidariedade fraterna e senta-se à mesa comum. O reino de Deus é uma sociedade alternativa que Jesus propõe à humanidade.
Jesus e os seus discípulos: Elege doze discípulos para formar a fraternidade com Ele e missionar em Seu nome. Para isso deixaram a família, a profissão, renunciaram a títulos e a património. Disponibilizaram-se absolutamente para proclamar o reino. Andam aos pares, em comunidade, num mundo injusto que pretendem libertar. Todo o que tem a Jesus a Deus se dirige. O NT é a revelação do coração fraternal de Deus, que pede que vivamos como irmãos.
A prática de Jesus através das ações: Jesus fez o bem, curou os enfermos, expulsou demónios, perdoou e sentou-se à mesa com os discípulos e os pobres e excluídos, símbolos do reinado de Deus e da salvação. Estão aqui presentes três realidades, os milagres, o perdão e a comunidade da mesa. Se os milagres são ações ou obras poderosas, a Sua pessoa é entendida como um milagre, de amor e perdão. O reino de Deus chega aos pobres com justiça e aos pecadores com a misericórdia. Aos que menosprezam Deus e que tinham atividades desapreciadas, como os cobradores de impostos, os jogadores de jogos de azar e as prostitutas (distinguidas destes pela imoralidade).
O reino de Deus chega quando o pecador descobre a sua misericórdia e o seu perdão. O reinado da mesa é herança dos judeus, enquanto comunidade de irmãos; a comida enquanto lugar de união. Jesus compartilha a mesa com os discípulos (fraternidade) com os pobres (justiça), e com os pecadores (misericórdia), estes constituem novidade em relação aos judeus, que o proibiam. 
Conclusão: Jesus lega aos seus discípulos os princípios básicos de uma prática alternativa (Marcos).
Caridade: prática económica das mãos, política enquanto prática dos pés e ideológica dos olhos, através da fé: com as mãos curou os enfermos e repartiu o pão, económica que propõe a doação e a comunhão com o pobre, política percorrendo o caminho da esperança dos seguidores de Cristo. Jesus propõe aos discípulos que não atuem como os chefes das nações que dominam e impõe, mas antes que sejam servidores e deem vida. Por último, a fé través dos olhos enquanto comportamento ético-social: Jesus propõe a dignidade da pessoa humana, a justiça e a distribuição dos recursos, a solidariedade com os pobres, os oprimidos, o respeito e a liberdade do outro, o estar disposto a servir, a capacidade de suportar os conflitos e um amor universal que supere todas as diferenças entre os homens, princípios assentes na liberdade, confiança e generosidade, como se a preocupação com as questões fundamentais dos direitos humanos se iniciasse em Jesus.






 

Fatores que estiveram na origem do aparecimento da teologia pastoral

Teologia Pastoral – sujeito da ação

Teologia prática: o acento recai mais sobre o objeto

Séc. XVIII (Outubro de 1774) – Reforma Pastoral

Nasce a Teologia Pastoral ao fazer-se a reforma universitária empreendida. Há três fatores históricos presentes no seu nascimento e que configuram fortemente a orientação que vai tomar durante os seus 1.ºs anos:

- A uniteralidade visível e hierárquica da teologia pós-tridentina na sua conceção eclesiológica que na polémica anti protestante se tinha centrado somente nos aspetos parciais da doutrina tradicional;

- O josefinismo do império austríaco que na sua concepção absolutista, quer colocar a Igreja ao serviço do seu poder e como meio para o manter;

No josefinismo o sacerdote era visto como um funcionário estatal. A teologia que se encontrava em decadência, ajudava a esta pretensão de um estado absolutista, que considerava os pastores funcionários espirituais para a formação de bons cristãos que seriam, por sua vez, bons cidadãos.

Doutrina mais como uma arte do que como uma ciência. O seu conteúdo é um conjunto de normas para situações que o pastor pode encontrar no exercício do seu magistério.

- A decadência das ciências teológicas que na polémica dos anos anteriores só tinham girado com muito pouca vitalidade em torno dos temas jurídicos e canónicos com fins claramente apologéticos.

 

Canonista F.S. Rautenstraucht, abade beneditino da faculdade teológica de Praga faz a reforma dos estudos.

Aparece pela 1.ª vez a pastoral como entidade própria.

A utilidade da pastoral é simples e clara. No 5.º ano de estudos os pastores aprenderiam o uso das ideias teológicas para a cura das almas. Aparecem ideologias que se repetirão nos anos posteriores:

- A exclusividade da pessoa do pastor como único objeto de estudo da teologia pastoral. Nele centra-se a atividade da Igreja e a sua preparação para a atividade pastoral.

Os deveres do pastor agrupam-se em torno das tarefas de ensinar, santificar e reger

O método de estudo rigorosamente dedutivo dos princípios teóricos estudados pelo pastor, durante os quatro anos anteriores, da teologia e da s aplicações práticas.

- Pragmática – característica que passará a todos os manuais que aparecerem posteriormente.

Põe em conexão a teologia com a sociedade. A teologia não é entendida à margem da vida, conclui iluminando a sua realidade e sendo origem e ação da Igreja nela.

 

Até meados do séc. XIX: A pastoral dirige-se por estas coordenadas.

 

A nova Teologia nascida de J.A. Mohler (ponto de partida)

J.S.Drey

J.M. Sailer

A. Graf

Orientações renovadoras do séc. XIX – Reforma Eclesiológica (ambas tem de esperar quase um séc. até que sejam aceites)

Apesar de os manuais de tendências josefinas se imporem e publicarem em grande escala, a reforma das ideias eclesiologias que se tinha desenvolvido nos primeiros anos do séc. XIX, em Tubinga, fez-se notar fortemente no campo da teologia pastoral.

J. A. Mohler_ na Igreja a vida como conceito fundamental, a sua dependência do espírito e a sua relação com o Verbo encarnado. Nova forma de conceber a Igreja e a sua ação pastoral, que irá dar abundantes frutos.

A reforma da conceção pastoral gira em torno de dois eixos:

-a orientação bíblico-teológica da escola de Tubinga;

-Nas ideias eclesiológicas: Tubinga supõe na pastoral uma teologia de ilustração uma teologia do romantismo.

 

 

 

 

 

 

 

Ambos supõem uma maior incidência do aspeto bíblico-teológico em detrimento do pragmático e utilitário da época anterior.

 

·         A pastoral tenta formar o pastor nos conteúdos da predicação para que a Igreja seja a continuação da palavra de Jesus Cristo, revelador do Deus amor.

·         a catequese

·         situar a missão do pastor na conceção eclesiológica ao serviço da revelação, superando as tendências de tipo utilitário da teologia pastoral anterior

·         situar a teologia pastoral e a ação da Igreja dentro das coordenadas cristológicas, eclesiológicas e salvíficas.

·         Procurar a identidade do pastor na obra de Cristo

Vai centrar a tarefa do pastor no serviço a uma revelação que se continua no mundo através da Igreja.

Meados do séc. XIX, na escola de Tubinga:

-Resultado de uma teologia pastoral do renascer eclesiológico de toda a escola.

 

-Muitos autores viram a sua obra como pura eclesiologia

 

-tentou fundamentar cientificamente uma teologia pastoral católica que até então nem era teológica nem se mantinha a níveis distintos de pragmatismo empírico.

 

·         O seu ponto de partida situa-se na centralidade da Igreja e no seu conceito de teologia como autoconsciência dessa mesma Igreja.

·         Entende a Igreja como um conjunto orgânico, um sujeito ativo, presença histórica da obra salvadora de Deus realizada na história, anunciadora da salvação à humanidade. A Igreja é um organismo vivo que se edifica a si mesma.

·         A teologia é a autoconsciência científica da igreja

·         Concebe a teologia prática a que se ocupa da conservação, desenvolvimento e realização da Igreja no futuro, da sua auto edificação.

Conclusão

 

·         A Sagrada Escritura é a base da teologia pastoral

 

·         A Pastoral encontra estatuto científico dentro da teologia e deixa de ser apêndice ou conclusão para ser essencial ao estudo teológico, interrelacionada com as anteriores. Deixa de ter a preocupação da preparação dos pastores.

·         Prefere o nome de teologia prática ao de teologia pastoral

·         A novidade é o começo da eclesiologia de comunhão.

 

*      È o seu discípulo J. Amberger quem conclui a sua obra e abandona a premissa que a Igreja é uma identidade orgânica que se constrói dinamicamente na história, mas antes uma realidade estabelecida. A pastoral é entendida na sua dependência do direito canónico e no da essência da Igreja.

*      Regressa –se ao pragmatismo da época anterior: os pastores estavam ao serviço da Igreja perfeitamente estabelecida.

 

Paralelismo

 

 

Igreja eclesiológica

1.       Dá-se um conceito de Igreja em eclesiologia e na pastoral, marcado pelos aspetos visíveis e hierárquicos;

2.       Ao dar-se o conceito eclesiológico dominado pela noção de sociedade perfeita, a pastoral detém-se sobretudo nos meios que asseguram o funcionamento da dita sociedade;

3.       Ao surgir um novo conceito de Igreja, surge um novo conceito de teologia pastoral, no mesmo contexto e com as mesmas pessoas;

4.       O encontro das ideias eclesiológicas com as românticas é decisivo para a renovação dos materiais;

5.       A renovação realiza-se sobretudo pela redescoberta do aspeto interno eclesial: A animação do espírito e a fundamentação cristológica substituem o desenvolvimento teológico potencia a vitalidade interior procedente da presença divina.

Igreja pastoral

6- O alcance de ambas é similar e o tempo em que estiveram envolvidas também.

A renovação prévia ao Vat. I não foi compartilhada à generalidade da Igreja;

7-Tanto a eclesiologia como a pastoral caraterizam-se pelo fraco carater teológico: a cientificidade de ambas é muito pobre e a teologia bastante restritiva;

8- As duas estão marcadas pela polémica e pelas reações de tipo apologético;

9-o renascer de ambas dá-se quando entram em contato com o mundo que as rodeia.

As ideias românticas em diálogo com as teológicas foram fecundas para a teologia e para a pastoral

 

·         Os manuais pastorais caracterizavam-se pela visão eclesiológica do Vat. I

·         Tem por base a ideia da tarefa da pastoral de Jesus, a sua obra salvífica é continuada pela Igreja através dos órgãos visíveis, a estabelecidos pelo mesmo Cristo como sujeitos do governo pastoral.

·         Surge a cura das almas;

·         Durante cinquenta anos praticaram-se as ideias vindas do Vat. I

·         O povo de Deus e os laicos estão ausentes do tratados teológicos ou aparecem como sujeitos passivos

·         Superficialidade no tratamento da graça, do mistério e do sobrenatural.

 

 

-Tanto a eclesiológica como a pastoral pecam pelo ahistoricismo

- A santidade das almas aparece como o resultado de por em prática as normas concretas sobre o funcionamento das instituições

 

 

O período entre as duas Guerras

·         Renovação da vida pastoral e das ideias eclesiológicas

·         A insuficiência dos manuais:

-A linguagem não correspondia à problemática real, a centralização das tarefas no pastor-pároco não abordava as interrogações vindas da revolução industrial, nem contemplavam os novos problemas de descristianização

- O surgimento de novas realidades que impulsionavam o regresso da Igreja às suas origens

 

Ø  A igreja entra em contacto com a realidade social do mundo fazendo da sua missão algo mais efetivo e real: presta ajuda eficaz, dedicando-se às atividades pastorais, especializando-se em áreas distintas.

 

*      O acontecimento eclesial do Vat. II – as distintas matizes daa teologia pastoral convivem mutuamente

*      A repercussão pastoral da teologia do corpo místico:

A nova visão das encíclicas de Leão XIII e os movimentos renovadores propiciam um despertar eclesiológico fecundo que gira em torno do conceito de Corpo Místico de Cristo.

*      Obra de C. Noppel: traz à pastoral dois das problemáticas mais claras da sua época:

*      A eclesiologia do Corpo místico e o apostolado na vida da Igreja;

 

-Na teoria do Corpo místico encontra a base de uma pastoral mais eclesial e menos individualista. O seu objeto é a edificação do Corpo de Cristo, tarefa que rompe o individualismo anterior para construir uma ação pastoral comunitária.

- Trabalho pastoral centrado na cura das almas, caracterizado pelo guia da comunidade.

- A comunidade eclesial tem a sua melhor expressão na vida e estrutura paroquial.

- Tal como Graf, volta a por em contacto a eclesiologia com a pastoral, uma estuda a estática outra a dinâmica da Igreja.

- Inclusão do apostolado dos laicos para o desenvolvimento da Ação Católica.

 

*      Obra de Fran Xaver Arnold, herdeiro dos antigos pastoralistas alemães da escola de Tubinga- o seu interesse está em encontrar o lugar da ação pastoral na obra de salvação.

*      Busca as dimensões para a ação.

*      Encontra o lugar da mediação entre a ação pastoral e a salvação e atribui-lhe o processo de salvação.

*      Mediação em continuidade com a ação de Cristo, verdadeiro e único mediador da salvação

 

Ø  As ideias cristológicas servem de fundamento para as eclesiológicas e para a sua conceção pastoral.

Ø  A ação divina e humana convergem na ação pastoral

Ø  O encontro do divino com o humano

 

Relações eclesiológico-pastorais na teologia do Corpo místico:

-a interioridade no trabalhar triunfa sobre uma conceção externa e jurídicista

-o externo na Igreja tem um caráter sacramental

-graças à revalorização da tarefa do Povo de Deus a teologia pastoral começa a ver como sujeito toda a ação pastoral da Igreja a todos os batizados, rompendo com o clericalismo presente desde a teologia pastoral.

 

 

- o externo na Igreja tem um caráter sacramental.

 

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A renovação eclesiológica e as suas repercussões pastorais práticas.
  1. Tem a sua origem no movimento pastoral surgido na França e que chega ao Concílio do Vat. II ;
  2. Aparecimento de novas estruturas e técnicas para dar resposta evangelizadora à ação da Igreja.
  3. Para haver eficácia é necessário o conhecimento do mundo e da relação concreta da Igreja com ele.
  4. Conceção sacramental da Igreja que repercute um conceito de missão e de evangelização: a Igreja é sacramento de salvação.
  5. Colocou em evidência a realidade pastoral do batismo e do laico praticante.
  6. Antes desta eclesiologia a ação da Igreja radicava-se nas paróquias.
Outras leituras...



Cronologia da Igreja Católica


Há dois mil anos: o mundo mediterrâneo era controlado por Roma. O Grande Império estendia-se desde a Síria até Portugal, das Ilhas Britânicas até ao Egito. Fundado por Otávio Augusto, o império vivia um período de paz e prosperidade (a Pax Romana).


O helenismo, a influência dos costumes e do pensamento gregos sobre o mundo mediterrâneo, estimulava o gosto pelas coisas espirituais (estoicismo, platonismo).Havia uma grande efervescência religiosa e atingia todas as camadas da sociedade.


O panteão romano e o Olimpo grego tinham inúmeros fiéis, ao mesmo tempo que se desenvolviam outras correntes.


Vindo do Oriente e desenvolvido pelos sucessores de Alexandre magno, o culto ao soberano implantou-se no império. Quando o imperador morria era considerado divindade. Nas províncias orientais o imperador era adorado ainda em vida.


 No meio dessa babel de crenças, um povo mantinha-se fiel ao seu Deus: o pequeno povo de Israel, não esqueceu a fé nos antepassados Abraão, Isaac e Jacó, e de como Yameh os tinha libertado da escravidão do Egito. Tinha consciência dessa raça escolhida e predestinada por Deus, herdeira das promessas divinas. A Torá ou Lei que Moisés recebera no monte de Sinai, era uma coletânea de preceitos éticos e religiosos fixados num conjunto de cinco livros sagrados – O Pentateuco. Juntamente com os livros históricos, proféticos, poéticos e salmos, formaram as Escrituras Sagradas do Judaísmo.


Ao lado dos livros, havia entre os judeus uma tradição oral transmitida de pai para filho, o sinédrio, encabeçado pelo sumo sacerdote e pelos escribas, responsável pela guarda da lei.


 De 13 a.C. a 54 d.C: Jerusalém, a cidade sagrada e o seu templo eram o centro da religiosidade dos judeus. Fora da Palestina, o judaísmo alexandrino começava a assimilar elementos do platonismo e do estoicismo. Filon da Alexandria (13 a.C. a 54 d. C) construiu um sistema teológico e filosófico que integrava as escrituras com certas correntes do pensamento grego. Influenciava as comunidades judias da Diáspora e preparava o caminho para o desenvolvimento da teologia cristã.


Na terra santa, qualquer tentativa de assimilação do helenismo era repelida. Epífanes colocou um deus do Olimpo no templo de Jerusalém e enfrentou a ira dos macabeus.


Mesmo quando Roma reduziu Israel à condição de simples vassalo, o povo de Deus reforçou a sua fé e uniu os fariseus, sucessores dos piedosos, da época dos macabeus.


Os fariseus centravam-se na espiritualidade, na meditação e no cumprimento da Torá, cumpriam a observância do sábado e respeitavam os mandamentos. Acreditavam na imortalidade da alma, na ressurreição e na existência de anjos, contrariando os sudaceus, que só reconheciam o Pentateuco.


Os zelotas, que combatiam os romanos, encarnavam fanaticamente o judaísmo.


Nazaré era uma pequena povoação pobre e árida da Galileia, desprezada por todos. Nela vivia uma jovem, de profunda piedade, fé e pureza de coração, desposada por um carpinteiro chamado José. Era a escolhida de Deus para ser a mãe do Messias. O salvador esperado por Israel e profetizado nas Escrituras, que libertaria o povo da opressão e implantaria um reino maior que o de David.


A 6 a 7 da nossa era: Maria disse sim a Deus e adotado por José, Jesus nasceu em Belém, entre os anos 6 a 7 da nossa era. Há quem defenda que foi 4 a 5 a.C. Durante 30 anos ajudou o pai e a mãe nas tarefas domésticas, estudou a Torá e aprendeu o ofício de carpinteiro. Um dia, porém arrumou as suas ferramentas, despediu-se da mãe e partiu rumo ao rio Jordão, onde o seu primo João Batista pregava e batizava. Depois de ser batizado e de passar algum tempo no deserto, Jesus inicia a sua missão, escolhe doze apóstolos, entre os quais se destaca Pedro, Tiago e João. Atravessa a Palestina várias vezes realizando milagres e pregando o Reino de Deus. A sua visão da lei e o seu modo de agir incomodam os responsáveis pela religião oficial, que começam a conspirar para eliminá-lo.


O modo como se relaciona com Deus, seu Pai, e a afirmação da sua dignidade eram intoleráveis para os fariseus e os escribas. No final do ano 29: Jesus desce lentamente para Jerusalém, sabe que a sua hora está próxima. A festa do domingo de Ramos é logo sucedida pela prisão, pelo processo diante de Pôncio Pilatos, procurador de Roma e pela condenação à morte na cruz.


Provavelmente no dia 7 de abril, uma sexta-feira santa, Jesus de Nazaré morre crucificado juntamente com dois ladrões. No madeiro tinha a inscrição: “Jesus de Nazaré, rei dos Judeus”, escrita em hebraico, grego e latim.


Ao pé da cruz estava um grupo de mulheres, entre as quais a sua Mãe e um discípulo. Depois da morte na cruz, o corpo de Jesus é colocado num sepulcro perto dali. Tudo parecia terminado, mas três dias depois os apóstolos testemunharam a sua ressurreição.


Jesus ainda apareceu várias vezes aos apóstolos, dando-lhes instruções para o que se seguiria, e, quarenta dias depois da Páscoa, “subiu aos céus”.