sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A ação eclesial em ação


A ação eclesial em ação

«Por entre as linhas que tecem esta forma de estar no mundo, o apelo divino encontrará um lugar real e bem-disposto onde ressoar, um sujeito capaz de o pressentir afetivamente, de o discernir com inteligência, de lhe responder livremente, precisamente enquanto o reconhece digno de confiança. Finalmente, de confiar e de se confiar, de assentir e de se empenhar, isto é, de avançar a própria existência como penhor-garantia dessa decisão livre. Por outras palavras, de crer».  (José Frazão Correia, «A Fé como forma vital e forma expressiva da existência humana», in Aa.Vv., A fé da Igreja, ed. Paulus, Lisboa 2014, 22).

O texto em análise fala-nos de quando há necessidade de repensar a Igreja no mundo atual, tendo por base a necessidade de reconsiderar a identidade cristã, numa sociedade em transformação permanente.

A ação da Igreja identifica-se por um conjunto articulado de ações evangelizadoras entre os agentes da Evangelização, devidamente articulados e conjuntamente com uma visão eclesial global. Essa é a ação de todos os cristãos enquanto Igreja, a articulação evangelizadora da Igreja com o sacramento universal da Salvação.

A tarefa fundamental e objetivo final da ação eclesial é estar no mundo ao serviço do Reino.

A fé que se realiza, que se vive, que se proclama e celebra, as funções, mediações eclesiais clamados sinais evangelizadores distribuem-se do seguinte modo:

-Serviço (Diaconia): caridade, serviço, promoção, educação, liberdade e solicitação;

- Comunhão (Koinonia): comunhão, fraternidade, reconciliação, unidade, comunicação e comunidade;

-Anúncio (martírio): anúncio, testemunho, profecia, catequese e pregação;

-Liturgia: eucaristia, sacramentos, celebrações, festas, devoção e oração.

São estas as funções ou mediações eclesiais (“sinais evangelizadores”) da Igreja ao serviço do Reino de Deus.

À luz desta divisão quadripartida, a cada uma das ações corresponde um dos âmbitos principais da ação eclesial/funções sacramentais, que são:

- Missionário: presença, serviço, diálogo, testemunho e primeiro anúncio;

-Catecumenal: acolhimento, acompanhamento, catequese, iniciação e mistagogia;

-Pastoral: caridade, pregação, catequese, vida de comunidade e celebração;

- Presença no mundo: testemunho, promoção, participação, ação cultural e ação sociopolítica.

Para que se possa realizar a ação eclesial, os agentes e condições institucionais são as estruturas, instituições e serviços. Tudo está implicado para uma boa pastoral. 

O objetivo e tarefa fundamental da ação eclesial ao serviço do Reino

A Igreja existe ao serviço do projeto do Reino de Deus, não o é mas para ele caminha. Constitui na terra o princípio deste reino de amor, paz e justiça. É o anúncio da presença do grande projeto de Deus anunciado no Novo Mandamento. Ela é o sacramento universal da salvação, de todos, ad intra e ad extra. A praxis eclesial é uma operação transcendental.

A praxis vê-se projetada para a vinda e crescimento dos valores do Reino, a comunhão com Deus e com os homens, a fraternidade e a felicidade.

Segundo o Gaudieum et Spes a Igreja, ao serviço da humanidade, está no mundo, para o mundo, repensando-se a relação Igreja-Mundo. O mundo é o lugar de realização do Reino através do Espírito. A Igreja constitui-se como sacramento da salvação na medida em que vive e realiza o amor e a caridade. A ação da Igreja é: serviço, comunhão, anúncio e ritos, sintetizando os quatro sinais evangelizadores.

O ideal do reino faz-se visível no mundo por meio de quatro formas fundamentais: diaconia (amor e fraternidade), koinia (comunhão), martíria (anúncio salvífico do Evangelho) e liturgia (celebração e ritos festivos de alegria).

Como nenhuma mediação consegue sozinha caminhar para o Reino, antropologia, soteriologia, sacramentologia e dogmática encontram-se interligadas e a trabalhar conjuntamente em cada organização da Igreja.

Os quatro fatores antropológicos que se relacionam com o anúncio e celebração (Diaconia) da Igreja são a ação, a relação, o pensamento e a celebração.

A Koinia corresponde ao desejo de irmandade e à paz universal. Ao Martírio corresponde o desejo de libertação e de interpretação da vida e da história. A Liturgia torna os cristãos portadores de esperança através do anúncio de Jesus.

Os quatro anteriores sinais evangelizadores manifestam a missão da Igreja no mundo, que é a de oferecer a todos um novo amor universal, uma nova forma de convivência fraterna, uma mensagem e testemunho preenchido de vida e de esperança e um conjunto de ritos expressivos de uma vida em plenitude.

As funções eclesiais não podem separar-se entre si como realidades independentes. A diaconia e a koinia tem um lugar de destaque, pois contém os valores fundamentais do Reino, de amor e comunhão.

Há uma complementaridade entre os sinais. O conjunto das funções eclesiais constitui um todo orgânico da globalidade da experiência eclesial.

A ação missionária, catecumenal, pastoral, presença e ação no mundo são os âmbitos principais do processo evangelizador.

A Incarnação do Verbo é fundamental porque na carne se vive a fé e adesão a Cristo. A dimensão mais eficaz faz parte do sacramento da Eucaristia e é a da caridade na evangelização.

A Igreja realiza a sua missão por etapas: anúncio missionário, anúncio catequético, anúncio pastoral e anúncio no mundo.

A missão dirige-se aos crentes e aos não crentes, porque Deus quer que todos se salvem e assume várias formas, de presença, serviço, diálogo e testemunho, até chegar ao anúncio do Evangelho.

Na passagem do anúncio missionário para o catequético é quando o individuo sente o apelo no seu coração e quer aderir à fé. Dá-se o seu acolhimento, acompanhamento, catequese, iniciação em ritos e sacramentos. A ação catecumenal é uma função essencial da Igreja, expressão da sua maternidade.

Quanto ao anúncio pastoral nele há vivência e formação. È a ação dentro da comunidade eclesial, no exercício das tradicionais funções de culto, celebração, sacramento, pregação catequese, vida da comunidade e serviço da caridade.

O anúncio no mundo é o testemunho evangélico na sociedade, feito através de obras de promoção humana, de ação social, educativa e cultural, fomento da paz e do compromisso ecológico.

Os agentes e instituições da prática eclesial compõem-se por pessoas, instituições e serviços para que a Igreja possa cumprir a sua missão, todos juntos caminhando para o Corpo Místico de Cristo.

Tudo o que existe tem de estar ao serviço da comunhão (vertical e horizontal) e ao serviço da inculturação.

 A cultura cristã não existe separada, está inserida na cultura de um povo.

O Evangelli Gaudium coloca o Evangelho na promoção do bem comum e da paz social.

A ação da Igreja pensada com naturalidade

A pastoral deriva da palavra pastor, que é quem a faz. Ela é a continuação da missão de Jesus, o bom Pastor, junto da humanidade. É realizada pelo Corpo Místico de Cristo, da qual se faz parte a partir do batismo. A tarefa da Igreja é anunciar o Reino de Deus e coincide com a missão de Jesus. A presença do Reino é uma realidade de fé. A ressurreição é o grande acontecimento do Reino de Deus, que nos convida a tomar parte no banquete pascal, através da comunhão na mesa do Senhor.

A Igreja tem a tarefa de evangelizar, começa com o Espírito Santo, na transmissão da Revelação. Proclama o Evangelho e testemunha a vida teologal (fé, esperança e caridade). Tal como os grãos dispersos se reuniram para formar um só pão e os bagos da uva se reuniram para formar um só vinho, assim o homem se unifica com Jesus, através da comunhão e da conversão.

Esta missão tem elementos constantes como o anúncio do reino, reconhecer Jesus como Senhor, aceitar o amor gratuito de Deus, conversão ao evangelho, chamamento à comunidade e testemunhos de ressurreição.

Jesus convida a viver em comunidade. Ele próprio formou a comunidade dos doze apóstolos que preparou e ensinou para o anúncio da chegada do Reino. Sem comunidade não há verdadeiro encontro com Cristo.

A ação da Igreja tem três etapas: missão, iniciação cristã e Pastoral.

Na missão procura-se a primeira adesão a Cristo, na iniciação recebem-se os sacramentos de iniciação, na Pastoral faz-se um aprofundamento da fé e da vocação na comunidade. A Igreja ensina doutrinas e preceitos para que todos sejam um exemplo de testemunho (moral e sacramental) do Reino. A Sagrada Escritura e a Tradição não podem dissociar-se. Elas ensinam o que fez e quem foi Jesus. Deus dá-se a conhecer através de gestos de oração e de palavras na vida em Cristo.

O problema atual é o de articular o ensino social de ambiente cristão com a iniciação cristã que é a experiência de Cristo, pelo que temos de conciliar fé conhecida (palavras), revelada (gestos), vivida (vida em Cristo) e rezada (oração).

Os elementos da fé, esperança, doutrina e testemunho são um todo. Para haver evangelização tem de haver inculturação. A afetividade reflete-se pela Dei Verbum no culto, na doutrina, na catequese de adultos, na participação eucarística e em Cristo no sacerdócio.

A conversão pastoral engloba tudo o que se faz para as pessoas. As três virtudes: Fé, Esperança e Caridade que se encontram em relação direta. A proposta de conversão é harmonizar a pessoa, libertando o seu coração do que a escraviza.



Sérgio Lanza afirma que a projetualidade (mentalidade e práticas) e o discernimento (espiritualidade e método) constituem o meio de dinamizar a renovação da comunidade cristã, possibilitando a conversão pastoral no sentido missionário, palavra da fé na atualidade. A renovação do saber teológico para pelo abandono da cisão entre a fé e a racionalidade (a fé no seu contexto vital e a reflexão abstrata, infecunda). O restabelecimento da aliança entre a razão e a fé permitem o enriquecimento científico. A Teologia não se restringe à teoria mas vincula-se à praxis. Só uma reflexão orientada a partir da praxis é capaz de captar a realidade da fé. A Teologia procura uma compreensão acerca da própria fé, quer em relação ao conteúdo (fides quae), quer em relação à decisão de acreditar (fides qua). Cai o pragmatismo da eclesiologia através da sua contextualidade. O saber teológico entendido como um saber prático. Toda a Teologia tem uma dimensão pastoral. Importa projetar uma reflexão que encare a ação eclesial como um locus theologicus, onde os princípios e a realidade dialoguem e se relacionem.  

É importante definir o objeto da teologia pastoral. A reflexão teológica sempre teve em consideração a praxis como revelação incarnada, mas nem sempre de forma explícita, evidencia-se em ocasiões de separação entre o cristianismo e a cultura. A mudança de orientação na reflexão pastoral conduziu à necessidade de diálogo entre a Igreja e o mundo. O que é estudado na Teologia Prática é a ação eclesial, a vida da comunidade cristã e o exercício da sua missão em diálogo. A ação eclesial é estudada na sua atuação no presente e na sua projetualidade para o futuro, sob um horizonte hermenêutico da fé, que funciona como critério.

Para Sérgio Lanza o principio teológico fundamental é o da Incarnação, o reconhecimento de forma viva da dupla natureza de Cristo, divina e humana. Para o Concílio da Calcedónia “Jesus Cristo é o símbolo visível de uma realidade invisível”, da unidade do divino e do humano, modo de ser da ação pastoral. O princípio da Incarnação remete para uma reciprocidade entre a referência normativa (fé ou experiência do crente) e o aspeto contextual (antropológico e sociocultural): ele é o princípio epistemológico e o critério da Teologia Prática.

O método específico da Teologia Prática, o modelo metodológico é a conjugação do rigor teórico com a inteligência da fé e com a sua operatividade. A não autonomia do método em relação ao conteúdo, contexto e aos objetivos. Cada ciência observa a realidade do seu ponto de vista, com os instrumentos que possui. Exige uma metodologia crítica: a fé como orientação da reflexão em curso. O modelo pastoral não deve ser unidirecional e objetivante, o que conduz a um discurso instrumental. Para o autor urge manter abertas as questões que dizem respeito às orientações. Apresenta o discernimento como opção fundamental.

É uma leitura cristológica da realidade sob o influxo do Espírito Santo. Exercita-se na ação e compreensão. Procura o crescimento da comunidade eclesial e da renovação pastoral. Toca a vida das comunidades e dos cristãos nos diversos níveis de existência cristã. É a tomada de posição em relação aos acontecimentos salvíficos de Jesus testemunhados pelas primeiras comunidades.

Um dos aspetos do quadro referência é Eclesiologia de comunhão. O discernimento é comunitário e implica conversão, transformação, contemplação, maturidade sapiencial, humildade, caridade, paciência e liberdade interior. São necessários critérios de ação eclesial no caminho da renovação e revitalização das comunidades cristãs. Acontece na memória histórica como ato da Tradição.

Sérgio Lanza evidencia o discernimento em cinco etapas assim resumidas: a questão, a oração, a reflexão (ambas pessoais ou comunitárias), a objetivação e a decisão, neste último entra o Projeto Pastoral, constituído por objetivos, etapas, participantes, meios e instrumentos). Propõe o método do discernimento teológico-pastoral. A ponte entre a fundamentação epistemológica e o método corresponde às dimensões do método.

A dimensão kairológica estabelece uma relação teológica com a realidade concreta, a partir do princípio da Incarnação, mediante as condições culturais, sociais e éticas.

A dimensão operativa está na elaboração do projeto como expressão continuada da renovação da fé. A dimensão criteriológica, núcleo central, estabelece os critérios da fé e da razão para orientar o estudo da praxis eclesial.

Os momentos do itinerário metodológico são: análise e avaliação, decisão e projeção (articulação entre os princípios da fé e os dados empíricos para que se renove a prática eclesial, articulada com a comunidade), atuação e verificação (através da observação e avaliação). A análise aproxima a ação eclesial da história, cultura e sociedade, munindo-se do apoio das ciências humanas.

A articulação das dimensões espiritual, eclesial e cultural acontece com o intuito de tornar o Reino de Deus visível, presente no tempo atual e na vida da comunidade cristã, fomentando a participação de todos.

Surge assim um renovado modelo da praxis eclesial atual.






No dia 8 de dezembro celebra-se o dia da Imaculada Conceição. Este dia invoca a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus, concebida sem marca do pecado original. É uma data de grande significado para a Igreja Católica.
Realiza-se uma festa religiosa que celebra um dogma católico definido como festa universal, em 1476, pelo Papa Sisto IV. Pela sua importância, a data é feriado nacional.


                                                                  

 

 

 

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