O documento diz-nos que os Evangelhos, à luz da atualidade, não são documentos históricos ou relatos bibliográficos de Jesus, mas antes testemunhos e confissões de fé, nascida da influência pessoal das primeiras comunidades. Foram proclamações de narrações em comunidade, para fazer vir a presença contínua de Jesus e relatos da prática pascoal levada a cabo por Jesus. São ainda documentos pastorais e a experiência exegética procura esclarecê-los do ponto de vista das suas funções pastorais.
A atividade de Jesus é relatada como prática ou ação pastoral paradigmática.
Cristologia e ação pastoral: a fé expressa-se de acordo com as imagens que se dão de Jesus Cristo, da ação pastoral e da reflexão teológica, dependendo da educação cristã familiar, da catequese recebida, da formação religiosa escolar, prática eucarística e dos cursos de formação teológica, dos lugares sociais e fatores culturais, lugares de transmissão de diferentes interpretações de Jesus e do cristianismo. Ao longo da vida, as nossas representações de Jesus evoluem.
Imagens de Jesus na ação pastoral: a ação pastoral depois da II Guerra Mundial dá-se de duas maneiras, a cristologia ascendente e descendente. A descendente, dedutiva, ontológica, dogmática dá lugar a uma Igreja centrada na problemática interna e Cristo como a 2.ª pessoa da Trindade, consubstancial ao Pai. Jesus converte-se em sinal de resignação, em muitas ocasiões é substituído pela imagem religiosa da cruz, a crucificação é consequência do pecado original da humanidade e da perfídia do povo judio.
No séc. XIX inculca-se a imagem de Jesus obediente e resignado, submetido aos decretos do Pai. A rebeldia, a exploração, reivindicação social e crítica aos poderes estabelecidos é sinónimo de pecado. Ao cristianismo toca obedecer e levar a cruz. O cristão, imitação de cristo, deve sofrer. A missa é quase entendida como o santo sacrifício, a mesa como altar e Jesus como a vítima, a causa da sua função expiatória.
A imagem de Jesus Cristo-Rei: serviu para justificar o poder de diversos regimes políticos conservadores, inclusive ditatoriais, quando a Igreja era religião do estado. A festa do Cristo-Rei, instaurada por Pio XI, em 1925, aparece num contexto social e político de uma Igreja defensiva frente a uma sociedade laica, anticlerical, socialista e republicana (nascida da implantação da República). Jesus também foi entendido como o revolucionário que instaura o reino de modo violento, e serviu de justificação de guerras, cruzadas e guerrilhas. A sua imagem teve uma função legitimadora de certos interesses económicos e políticos.
Cristologias pastorais: as cristologias ascendentes ou indutivas têm em conta o processo genético que seguiram os apóstolos desde Jesus de Nazaré ao Cristo ressuscitado. Têm caráter sociopolítico, fundamentam-se numa teologia positiva, numa exegese renovada da Bíblia e numa apreciação da evolução da história e dos seus problemas da sociedade. São sensíveis à dimensão social e política dos relatos evangélicos. Importa conhecer a vida concreta de Jesus a partir da sua humanidade e da sua própria história humana. Relacionam a memória de Jesus crucificado com a crucificação atual do povo e a mensagem evangélica libertadora com a situação do cativeiro. Frente à figura libertadora surgiu a conservadora e evangelizadora. O reino de Deus é o reino dos pobres. O Deus do reino a quem Jesus se dirige como Abba, é pai de todos; A morte violenta de Jesus pelos nossos pecados, ao descobrirmos a paixão de Jesus pelo reino e a sua justiça, descobrirmos que a morte de Jesus não é glorificação de um sofrimento, e as consequências da sua paixão para a justiça.
O povo cristão confessa a sua fé em Cristo ao longo dos séculos, apenas mudou as suas imagens iconográficas de acordo com certas influências culturais, afirmações conciliares, sínteses catequéticas, rituais litúrgicos e livros devocionais.
Um Jesus deduzido dos evangelhos literalmente entendido: Até ao Vaticano II o povo católico apenas conhecia a Bíblia sem uma adequada catequese. Somente tinham um certo conhecimento bíblico os membros dos grupos bíblicos e apostólicos. Eram entendidos pelo povo como relatos históricos dos feitos tal como sucederam e como meras biografias de Jesus. Dentro do Evangelho atraem poderosamente os milagres, que impressionam o povo porque necessita deles. O cristianismo é visto como a religião dos milagres e Jesus é para o povo o senhor dos milagres.
Um Jesus que no fundo é só Deus: Os olhos de Jesus são os olhos de Deus que vê e atua através de Cristo. Jesus é para o povo o Deus omnipotente e omnipresente.
Um Jesus que padece para dar-nos o exemplo: a cruz surge como o instrumento da vitória sobre a morte, o pecado e o demónio. No séc. XI propagam-se nas igrejas românticas as cruzes de Cristo de tamanho real, o triunfo, a serenidade do seu rosto, o sossego do seu corpo, lado a lado com representações de Cristo dorido e de olhos suplicantes, que representa o camponês pobre, os doentes, desamparados e os escravos: O Cristo sofredor, moribundo, marginalizado e condenado torna-se o centro da religião dos oprimidos, contrasta com o Cristo modelo de paciência, de resignação e de obediência. O sofrimento é o castigo de Deus e a consequência do pecado original.
Um salvador que expia os pecados e nos dá o céu: o mundo enquanto “vale de lágrimas” termina com a morte a partir da qual há salvação. Jesus abre-nos as portas do céu. O seu exemplo é válido para nos arrependermos e não pecar. Para isso devemos comportar-nos de acordo com os mandamentos, frequentar os sacramentos, alcançar uma boa morte e entrar no céu, vivendo em graça permanente.
Modelos de Jesus na sua prática pastoral: os modelos do seu comportamento pastoral relatados pelos evangelhos tendo em conta alguns dados sobre a situação do judaísmo nos tempos de Jesus. È objeto de fé como ressuscitado, Messias, senhor, Salvador e Filho de Deus. Há o perigo de uma interpretação dogmática ou redutora à sua condição histórica esquecendo o acontecimento da Páscoa.
- Modelos de Jesus derivados da sua atuação, dos seus feitos e ditos: Jesus não foi sacerdote do templo, porque não se coaduna com o modelo. A Tora é a lei judia interpretada pelos sacerdotes e escribas. O sumo sacerdote presidia o senedrim e o culto. A sua dignidade dependia do seu estatuto económico, era uma pessoa impopular, ajudada pelos chefes dos sacerdotes, familiares e amigos, encarregados do culto, da manutenção do templo e da tesouraria (os judeus ao longo da história estão sempre muito próximos dos valores económicos). O sacerdote ocupava-se dos sacrifícios e o sacerdócio era hereditário. Jesus ironiza-os na parábola do bom Samaritano e atacou os sacrifícios. Apela a que Jesus não está só no templo mas em todas as partes e introduz a caridade com os pobres. Orou no campo, nas montanhas e junto ao mar. Para Ele não há separação entre o espaço sagrado e o religioso já que tudo é santo por ser criação de Deus. O tempo novo será a humanidade. Somente na carta aos Hebreu é chamado de sacerdote. É o mediador entre Deus e os homens. A sua morte é a entrega de amor total. Jesus diz-se semelhante aos que sofrem, chegou à morte por amor à justiça e entregou-se como fidelidade a Deus. A confiança no cristianismo não deve pôr-se nas instituições nem nos rituais, mas na cruz de Cristo como revelação do amor de Deus e da reconciliação da humanidade. O essencial é Cristo, o único sacerdote. Deus quer o amor e a vida. O ritual cristão abarca toda uma vida entregue aos irmãos e à verdade.
- Jesus não foi escriba da lei: os escribas eram uma mistura de teólogos e juristas, herdeiros dos profetas e era necessário estudo para conhecer a lei e as tradições orais. Só tinham os estudos e maturidade completos para exercer aos 40 anos. Vestiam uma veste especial e ocupavam a presidência em qualquer ocasião. Eram saudados e louvados pelo povo. Presentes no senedrim, a maioria eram fariseus. Guias espirituais do povo, promoviam a fé em Deus e ajudam a cumprir a sua vontade mediante as regras de pureza. Depois da catástrofe de 70 desaparecem os templos e aos sacerdotes sucedem-lhe os escribas e rabinos, convertidos em chefes religiosos do judaísmo. Jesus não se limita a ensinar nas sinagogas e instrui em qualquer parte, ao ar livre, nas praças e junto ao mar. Entre os seus discípulos há mulheres e crianças, pecadores, gente do campo e pescadores. Jesus ensinou de acordo com a tradição judia, através de parábolas, sentenças, instruções e controversas. A sua autoridade deriva de si mesmo. Os evangelhos assinalam a distância Jesus e a lei judia ou tora. No tempo dos macabeus muitos judeus morreram por defender a guarda do sábado, a circuncisão e as escrituras.
- Jesus foi profeta do reino: só assim denominado nos evangelhos. Mas foi detido e condenado como falso profeta. Não é profeta nacionalista ou apocalítico. É escatológico perseguido, que reclama a vinda do reino de Deus, numa fidelidade absoluta à sua missão e liberdade.
Dimensões da prática em continuidade com Jesus: Mensagem escatológica de Batista, Jesus é o profeta do reinado iminente de Deus. A sua palavra e a sua obra nele se centram. O seu legado é a salvação dos pobres, pecadores e enfermos. A missão de Jesus é proclamar a boa notícia. O vocabulário da salvação é próprio do judeo-cristianismo de tipo helenista. A ideia de Deus como rei é anterior aos judeus, que esperavam que Deus viesse a reinar para repor a verdade e a justiça. Israel encontraria a sua verdade e independência e viveria em paz. A liberdade política frente à opressão romana, a justiça social, a paz e o bem-estar.
Para os romanos deveria dar-se a cada um segundo as leis. Jesus entra em conflito porque defendia os oprimidos, pobres, marginalizados e ignorantes. Os protagonistas do reinado de Deus são os pobres, os que sofrem, os submetidos e os perseguidos. Para mostrar que está presente Jesus promove a solidariedade fraterna e senta-se à mesa comum. O reino de Deus é uma sociedade alternativa que Jesus propõe à humanidade.
Jesus e os seus discípulos: Elege doze discípulos para formar a fraternidade com Ele e missionar em Seu nome. Para isso deixaram a família, a profissão, renunciaram a títulos e a património. Disponibilizaram-se absolutamente para proclamar o reino. Andam aos pares, em comunidade, num mundo injusto que pretendem libertar. Todo o que tem a Jesus a Deus se dirige. O NT é a revelação do coração fraternal de Deus, que pede que vivamos como irmãos.
A prática de Jesus através das ações: Jesus fez o bem, curou os enfermos, expulsou demónios, perdoou e sentou-se à mesa com os discípulos e os pobres e excluídos, símbolos do reinado de Deus e da salvação. Estão aqui presentes três realidades, os milagres, o perdão e a comunidade da mesa. Se os milagres são ações ou obras poderosas, a Sua pessoa é entendida como um milagre, de amor e perdão. O reino de Deus chega aos pobres com justiça e aos pecadores com a misericórdia. Aos que menosprezam Deus e que tinham atividades desapreciadas, como os cobradores de impostos, os jogadores de jogos de azar e as prostitutas (distinguidas destes pela imoralidade).
O reino de Deus chega quando o pecador descobre a sua misericórdia e o seu perdão. O reinado da mesa é herança dos judeus, enquanto comunidade de irmãos; a comida enquanto lugar de união. Jesus compartilha a mesa com os discípulos (fraternidade) com os pobres (justiça), e com os pecadores (misericórdia), estes constituem novidade em relação aos judeus, que o proibiam.
Conclusão: Jesus lega aos seus discípulos os princípios básicos de uma prática alternativa (Marcos).
Caridade: prática económica das mãos, política enquanto prática dos pés e ideológica dos olhos, através da fé: com as mãos curou os enfermos e repartiu o pão, económica que propõe a doação e a comunhão com o pobre, política percorrendo o caminho da esperança dos seguidores de Cristo. Jesus propõe aos discípulos que não atuem como os chefes das nações que dominam e impõe, mas antes que sejam servidores e deem vida. Por último, a fé través dos olhos enquanto comportamento ético-social: Jesus propõe a dignidade da pessoa humana, a justiça e a distribuição dos recursos, a solidariedade com os pobres, os oprimidos, o respeito e a liberdade do outro, o estar disposto a servir, a capacidade de suportar os conflitos e um amor universal que supere todas as diferenças entre os homens, princípios assentes na liberdade, confiança e generosidade, como se a preocupação com as questões fundamentais dos direitos humanos se iniciasse em Jesus.
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Fatores
que estiveram na origem do aparecimento da teologia pastoral
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Teologia Pastoral – sujeito da ação
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Teologia
prática: o acento recai mais sobre o objeto
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Séc. XVIII (Outubro
de 1774) – Reforma Pastoral
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Nasce
a Teologia Pastoral ao fazer-se a reforma universitária empreendida. Há três
fatores históricos presentes no seu nascimento e que configuram fortemente a
orientação que vai tomar durante os seus 1.ºs anos:
-
A uniteralidade visível e
hierárquica da teologia pós-tridentina na sua conceção eclesiológica que na
polémica anti protestante se tinha centrado somente nos aspetos parciais da
doutrina tradicional;
-
O josefinismo do império austríaco
que na sua concepção absolutista, quer colocar a Igreja ao serviço do seu
poder e como meio para o manter;
No
josefinismo o sacerdote era visto como um funcionário estatal. A teologia que
se encontrava em decadência, ajudava a esta pretensão de um estado
absolutista, que considerava os pastores funcionários espirituais para a
formação de bons cristãos que seriam, por sua vez, bons cidadãos.
Doutrina
mais como uma arte do que como uma ciência. O seu conteúdo é um conjunto de
normas para situações que o pastor pode encontrar no exercício do seu
magistério.
-
A decadência das ciências teológicas que na polémica dos anos
anteriores só tinham girado com muito pouca vitalidade em torno dos temas
jurídicos e canónicos com fins claramente apologéticos.
|
Canonista
F.S. Rautenstraucht, abade beneditino da faculdade teológica de Praga faz a
reforma dos estudos.
Aparece
pela 1.ª vez a pastoral como entidade
própria.
A
utilidade da pastoral é simples e clara. No 5.º ano de estudos os pastores
aprenderiam o uso das ideias teológicas para a cura das almas. Aparecem
ideologias que se repetirão nos anos posteriores:
-
A exclusividade da pessoa do pastor
como único objeto de estudo da teologia pastoral. Nele centra-se a atividade
da Igreja e a sua preparação para a atividade pastoral.
Os
deveres do pastor agrupam-se em torno das tarefas de ensinar, santificar e
reger
O
método de estudo rigorosamente dedutivo dos princípios teóricos estudados
pelo pastor, durante os quatro anos anteriores, da teologia e da s aplicações
práticas.
- Pragmática – característica que
passará a todos os manuais que aparecerem posteriormente.
|
Põe
em conexão a teologia com a sociedade. A teologia não é entendida à margem da
vida, conclui iluminando a sua realidade e sendo origem e ação da Igreja
nela.
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Até
meados do séc. XIX: A pastoral dirige-se por estas coordenadas.
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A nova Teologia
nascida de J.A. Mohler (ponto
de partida)
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J.S.Drey
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J.M. Sailer
|
A. Graf
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Orientações renovadoras do séc. XIX –
Reforma Eclesiológica (ambas tem de esperar quase um séc. até que sejam
aceites)
|
Apesar
de os manuais de tendências josefinas se imporem e publicarem em grande
escala, a reforma das ideias eclesiologias que se tinha desenvolvido nos
primeiros anos do séc. XIX, em Tubinga, fez-se notar fortemente no campo da
teologia pastoral.
J.
A. Mohler_ na Igreja a vida como conceito fundamental, a sua dependência do
espírito e a sua relação com o Verbo encarnado. Nova forma de conceber a
Igreja e a sua ação pastoral, que irá dar abundantes frutos.
A
reforma da conceção pastoral gira em torno de dois eixos:
-a
orientação bíblico-teológica da escola de Tubinga;
-Nas
ideias eclesiológicas: Tubinga supõe na pastoral uma teologia de ilustração
uma teologia do romantismo.
|
Ambos
supõem uma maior incidência do aspeto bíblico-teológico em detrimento do
pragmático e utilitário da época anterior.
·
A
pastoral tenta formar o pastor nos conteúdos da predicação para que a Igreja
seja a continuação da palavra de Jesus Cristo, revelador do Deus amor.
·
a
catequese
·
situar
a missão do pastor na conceção eclesiológica ao serviço da revelação,
superando as tendências de tipo utilitário da teologia pastoral anterior
·
situar
a teologia pastoral e a ação da Igreja dentro das coordenadas cristológicas,
eclesiológicas e salvíficas.
·
Procurar
a identidade do pastor na obra de Cristo
|
Vai
centrar a tarefa do pastor no serviço a uma revelação que se continua no
mundo através da Igreja.
|
Meados
do séc. XIX, na escola de Tubinga:
-Resultado
de uma teologia pastoral do renascer eclesiológico de toda a escola.
-Muitos
autores viram a sua obra como pura eclesiologia
-tentou
fundamentar cientificamente uma teologia pastoral católica que até então nem
era teológica nem se mantinha a níveis distintos de pragmatismo empírico.
·
O
seu ponto de partida situa-se na centralidade da Igreja e no seu conceito de
teologia como autoconsciência dessa mesma Igreja.
·
Entende
a Igreja como um conjunto orgânico, um sujeito ativo, presença histórica da
obra salvadora de Deus realizada na história, anunciadora da salvação à
humanidade. A Igreja é um organismo vivo que se edifica a si mesma.
·
A
teologia é a autoconsciência científica da igreja
·
Concebe
a teologia prática a que se ocupa da conservação, desenvolvimento e
realização da Igreja no futuro, da sua auto edificação.
|
|
Conclusão
|
|
·
A
Sagrada Escritura é a base da teologia pastoral
|
|
·
A
Pastoral encontra estatuto científico dentro da teologia e deixa de ser
apêndice ou conclusão para ser essencial ao estudo teológico,
interrelacionada com as anteriores. Deixa de ter a preocupação da preparação
dos pastores.
·
Prefere
o nome de teologia prática ao de teologia pastoral
·
A
novidade é o começo da eclesiologia de comunhão.
|
|
Paralelismo
|
Igreja eclesiológica
1. Dá-se um conceito de Igreja
em eclesiologia e na pastoral, marcado pelos aspetos visíveis e hierárquicos;
2. Ao dar-se o conceito
eclesiológico dominado pela noção de sociedade perfeita, a pastoral detém-se
sobretudo nos meios que asseguram o funcionamento da dita sociedade;
3. Ao surgir um novo conceito de
Igreja, surge um novo conceito de teologia pastoral, no mesmo contexto e com
as mesmas pessoas;
4. O encontro das ideias
eclesiológicas com as românticas é decisivo para a renovação dos materiais;
5. A renovação realiza-se
sobretudo pela redescoberta do aspeto interno eclesial: A animação do
espírito e a fundamentação cristológica substituem o desenvolvimento
teológico potencia a vitalidade interior procedente da presença divina.
|
Igreja pastoral
6-
O alcance de ambas é similar e o tempo em que estiveram envolvidas também.
A
renovação prévia ao Vat. I não foi compartilhada à generalidade da Igreja;
7-Tanto
a eclesiologia como a pastoral caraterizam-se pelo fraco carater teológico: a
cientificidade de ambas é muito pobre e a teologia bastante restritiva;
8-
As duas estão marcadas pela polémica e pelas reações de tipo apologético;
9-o
renascer de ambas dá-se quando entram em contato com o mundo que as rodeia.
As
ideias românticas em diálogo com as teológicas foram fecundas para a teologia
e para a pastoral
·
Os
manuais pastorais caracterizavam-se pela visão eclesiológica do Vat. I
·
Tem
por base a ideia da tarefa da pastoral de Jesus, a sua obra salvífica é
continuada pela Igreja através dos órgãos visíveis, a estabelecidos pelo
mesmo Cristo como sujeitos do governo pastoral.
·
Surge
a cura das almas;
·
Durante
cinquenta anos praticaram-se as ideias vindas do Vat. I
·
O
povo de Deus e os laicos estão ausentes do tratados teológicos ou aparecem
como sujeitos passivos
·
Superficialidade
no tratamento da graça, do mistério e do sobrenatural.
-Tanto
a eclesiológica como a pastoral pecam pelo ahistoricismo
-
A santidade das almas aparece como o resultado de por em prática as normas
concretas sobre o funcionamento das instituições
| ||
|
O período entre as
duas Guerras
|
·
Renovação
da vida pastoral e das ideias eclesiológicas
·
A
insuficiência dos manuais:
-A
linguagem não correspondia à problemática real, a centralização das tarefas
no pastor-pároco não abordava as interrogações vindas da revolução
industrial, nem contemplavam os novos problemas de descristianização
-
O surgimento de novas realidades que impulsionavam o regresso da Igreja às
suas origens
Ø
A
igreja entra em contacto com a realidade social do mundo fazendo da sua
missão algo mais efetivo e real: presta ajuda eficaz, dedicando-se às
atividades pastorais, especializando-se em áreas distintas.
A
nova visão das encíclicas de Leão XIII e os movimentos renovadores propiciam
um despertar eclesiológico fecundo que gira em torno do conceito de Corpo
Místico de Cristo.
-Na teoria do Corpo místico encontra a base de
uma pastoral mais eclesial e menos individualista. O seu objeto é a
edificação do Corpo de Cristo, tarefa que rompe o individualismo anterior
para construir uma ação pastoral comunitária.
- Trabalho pastoral centrado na cura das almas,
caracterizado pelo guia da comunidade.
- A comunidade eclesial tem a sua melhor
expressão na vida e estrutura paroquial.
- Tal como Graf, volta a por em contacto a
eclesiologia com a pastoral, uma estuda a estática outra a dinâmica da
Igreja.
- Inclusão do apostolado dos laicos para o
desenvolvimento da Ação Católica.
Ø As ideias cristológicas
servem de fundamento para as eclesiológicas e para a sua conceção pastoral.
Ø A ação
divina e humana convergem na ação pastoral
Ø O encontro do divino com o humano
Relações eclesiológico-pastorais
na teologia do Corpo místico:
-a interioridade no trabalhar
triunfa sobre uma conceção externa e jurídicista
-o
externo na Igreja tem um caráter sacramental
-graças
à revalorização da tarefa do Povo de Deus a teologia pastoral começa a ver
como sujeito toda a ação pastoral da Igreja a todos os batizados, rompendo
com o clericalismo presente desde a teologia pastoral.
- o externo na Igreja tem um
caráter sacramental.
.
-
| |||
A
renovação eclesiológica e as suas repercussões pastorais práticas.
- Tem a sua origem no movimento pastoral surgido na França e que chega ao Concílio do Vat. II ;
- Aparecimento de novas estruturas e técnicas para dar resposta evangelizadora à ação da Igreja.
- Para haver eficácia é necessário o conhecimento do mundo e da relação concreta da Igreja com ele.
- Conceção sacramental da Igreja que repercute um conceito de missão e de evangelização: a Igreja é sacramento de salvação.
- Colocou em evidência a realidade pastoral do batismo e do laico praticante.
- Antes desta eclesiologia a ação da Igreja radicava-se nas paróquias.
Outras leituras...
Cronologia
da Igreja Católica
Há
dois mil anos:
o mundo mediterrâneo era controlado por Roma. O Grande Império estendia-se
desde a Síria até Portugal, das Ilhas Britânicas até ao Egito. Fundado por
Otávio Augusto, o império vivia um período de paz e prosperidade (a Pax
Romana).
O helenismo, a influência dos
costumes e do pensamento gregos sobre o mundo mediterrâneo, estimulava o gosto
pelas coisas espirituais (estoicismo, platonismo).Havia uma grande efervescência
religiosa e atingia todas as camadas da sociedade.
O panteão romano e o Olimpo
grego tinham inúmeros fiéis, ao mesmo tempo que se desenvolviam outras
correntes.
Vindo do Oriente e desenvolvido
pelos sucessores de Alexandre magno, o culto ao soberano implantou-se no
império. Quando o imperador morria era considerado divindade. Nas províncias
orientais o imperador era adorado ainda em vida.
No meio dessa babel de crenças, um povo
mantinha-se fiel ao seu Deus: o pequeno povo de Israel, não esqueceu a fé nos
antepassados Abraão, Isaac e Jacó, e de como Yameh os tinha libertado da
escravidão do Egito. Tinha consciência dessa raça escolhida e predestinada por
Deus, herdeira das promessas divinas. A Torá ou Lei que Moisés recebera no
monte de Sinai, era uma coletânea de preceitos éticos e religiosos fixados num
conjunto de cinco livros sagrados – O Pentateuco. Juntamente com os livros
históricos, proféticos, poéticos e salmos, formaram as Escrituras Sagradas do
Judaísmo.
Ao lado dos livros, havia entre
os judeus uma tradição oral transmitida de pai para filho, o sinédrio,
encabeçado pelo sumo sacerdote e pelos escribas, responsável pela guarda da
lei.
De
13 a.C. a 54 d.C: Jerusalém, a cidade sagrada e o seu templo eram o
centro da religiosidade dos judeus. Fora da Palestina, o judaísmo alexandrino
começava a assimilar elementos do platonismo e do estoicismo. Filon da
Alexandria (13 a.C. a 54 d. C) construiu um sistema teológico e filosófico que
integrava as escrituras com certas correntes do pensamento grego. Influenciava
as comunidades judias da Diáspora e preparava o caminho para o desenvolvimento
da teologia cristã.
Na terra santa, qualquer
tentativa de assimilação do helenismo era repelida. Epífanes colocou um deus do
Olimpo no templo de Jerusalém e enfrentou a ira dos macabeus.
Mesmo quando Roma reduziu
Israel à condição de simples vassalo, o povo de Deus reforçou a sua fé e uniu
os fariseus, sucessores dos piedosos, da época dos macabeus.
Os fariseus centravam-se na
espiritualidade, na meditação e no cumprimento da Torá, cumpriam a observância
do sábado e respeitavam os mandamentos. Acreditavam na imortalidade da alma, na
ressurreição e na existência de anjos, contrariando os sudaceus, que só
reconheciam o Pentateuco.
Os zelotas, que combatiam os
romanos, encarnavam fanaticamente o judaísmo.
Nazaré era uma pequena povoação
pobre e árida da Galileia, desprezada por todos. Nela vivia uma jovem, de
profunda piedade, fé e pureza de coração, desposada por um carpinteiro chamado
José. Era a escolhida de Deus para ser a mãe do Messias. O salvador esperado
por Israel e profetizado nas Escrituras, que libertaria o povo da opressão e
implantaria um reino maior que o de David.
A
6 a 7 da nossa era:
Maria disse sim a Deus e adotado por José, Jesus nasceu em Belém, entre os anos
6 a 7 da nossa era. Há quem defenda que foi 4 a 5 a.C. Durante 30 anos ajudou o
pai e a mãe nas tarefas domésticas, estudou a Torá e aprendeu o ofício de
carpinteiro. Um dia, porém arrumou as suas ferramentas, despediu-se da mãe e
partiu rumo ao rio Jordão, onde o seu primo João Batista pregava e batizava.
Depois de ser batizado e de passar algum tempo no deserto, Jesus inicia a sua
missão, escolhe doze apóstolos, entre os quais se destaca Pedro, Tiago e João.
Atravessa a Palestina várias vezes realizando milagres e pregando o Reino de
Deus. A sua visão da lei e o seu modo de agir incomodam os responsáveis pela
religião oficial, que começam a conspirar para eliminá-lo.
O modo como se relaciona com
Deus, seu Pai, e a afirmação da sua dignidade eram intoleráveis para os
fariseus e os escribas. No final do
ano 29: Jesus desce lentamente para Jerusalém, sabe que a sua hora está
próxima. A festa do domingo de Ramos é logo sucedida pela prisão, pelo processo
diante de Pôncio Pilatos, procurador de Roma e pela condenação à morte na cruz.
Provavelmente no dia 7 de abril, uma sexta-feira santa,
Jesus de Nazaré morre crucificado juntamente com dois ladrões. No madeiro tinha
a inscrição: “Jesus de Nazaré, rei dos Judeus”, escrita em hebraico, grego e
latim.
Ao pé da cruz estava um grupo
de mulheres, entre as quais a sua Mãe e um discípulo. Depois da morte na cruz,
o corpo de Jesus é colocado num sepulcro perto dali. Tudo parecia terminado,
mas três dias depois os
apóstolos testemunharam a sua ressurreição.
Jesus ainda apareceu várias
vezes aos apóstolos, dando-lhes instruções para o que se seguiria, e, quarenta dias depois da Páscoa,
“subiu aos céus”.
ResponderEliminarolá Sandra, porque é que publicaste os 2 trabalhos na mesma mensagem? Cria uma mensagem nova de cada vez que quiseres publicar qualquer coisa. Parece-me que a tua abordagem histórica está muito longa e em, relação à tabela, não consigo lê-la, porque as colunas não são comuns a toda a tabela. Gostei das repercussões pastorais práticas da renovação da Igreja, embora ache que tinhas a ganhar se publicasses separadamente. Continua!
ResponderEliminarSandra, a abordagem histórica da Teologia Prática que fazes é bastante pormenorizada. Relativamente à cronologia, concordo com a Célia, quando diz que não é de fácil leitura. No entanto, acho interessante a síntese cronológica que fazes da Igreja Católica. Bom trabalho!
ResponderEliminarOlá Sandra, concordo com o que anteriormente foi dito. Vejo que organizaste a tua tabela por temas e não pela linha temporal... Também no paralelismo que apresentas eu alteraria os títulos, substituiria a palavra Igreja por reflexão, ou evolução ou mesmo por teologia, pois causa-me alguma confusão o título Igreja Eclesiológica. Não sei, deixo aqui em discussão, mas se eclesiologia, em traços gerais, é o ramo da teologia cristã que trata da doutrina da Igreja, do seu papel, origem e disciplina será que tem lógica falar de Igreja Eclesiológica? Se calhar sim, ou não, não sei, que acham?
ResponderEliminar(É isto que me assusta quando publico algo no meu blogue....)
Se calhar sim, no sentido em que a Igreja se estuda a si própria. Ou não?
ResponderEliminarOlá! Obrigada pelos vossos comentários. Concordo com tudo o que disseram.
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