quarta-feira, 25 de novembro de 2015


                         Teologia Prática: ciência e objeto

A Eclesiologia Existencial (fundamentação) é a reflexão teológica sobre o dinamismo vital do e no Corpo Místico de Cristo, que se exprime na centralidade da palavra de Deus, do credo, da liturgia e dos sacramentos, na oração da vida e da missão, em contínuo diálogo com a cultura, as ciências e as outras confissões religiosas, para uma incessante edificação da comunhão e da universalidade do Corpo Místico de Cristo.

Reúne os conceitos do que se considerava ser a Teologia Pastoral e a Teologia Prática, já que a primeira era acusada de uma excessiva centralidade na figura do presbítero ou do pastor, enquanto a outra parece assumir uma tendência própria da atualidade: o pragmatismo, o exagero de dinâmicas e de ações eclesiais. O recurso à analogia do Corpo Místico de Cristo remonta ao conceito paulino de que a Igreja tem um caráter comunitário e universal, retomado na renovação eclesiológica da Teologia Pastoral do final do século XIX, início do séc. XX e no Concílio do Vat. II, de que todos os crentes e os não crentes fazem parte do Corpo Místico de Cristo que conduz a sua Igreja, enquanto cabeça do mesmo corpo.

O corpo de Cristo enquanto ser (essência) e agir (existência) da Igreja, entende-se e estrutura-se pela centralidade na palavra de Deus, na voz de Deus que fala ao ser humano, no credo e na resposta humana a Deus, pautada pela Tradição e pelo Magistério da Igreja, na liturgia e na celebração dos sacramentos confiado à administração da Igreja e no compromisso dos cristãos de continuarem a obra salvífica de Cristo na história, na vida humana, na missão ou evangelização do Corpo de Cristo (ad intra) e para o Corpo de Cristo (ad extra).

O Corpo de Cristo é a realidade analógica para dizer a Igreja, evitando o naturalismo da humanidade de Cristo e o misticismo da sua divindade. Torna a Igreja presente na história, cria diálogo com as ciências humanas (filosofia, antropologia, psicologia e sociologia) e com as confissões religiosas.

Metaforicamente a Eclesiologia Existencial é o ato de dar as mãos, o abraço entre Deus e a humanidade.

A função da Teologia Pastoral: “O Senhor é o meu pastor nada me falta” (…) habitarei na casa do Senhor para sempre”, não existe pastoral sem confiança e sem habitação na casa do Senhor. A pastoral é para as pessoas.

Para o DV, a missão da Igreja está em transmitir a revelação realizada por Cristo na história da salvação, segundo a sagrada escritura, Tradição e pela interpretação do magistério apostólico.

Para a LG, a cada um é dada a manifestação do Espírito, todo o povo profético de Cristo recebe a missão de testemunhar e viver a vida da fé, conforme os dons que o Espírito Santo reparte por cada um. O mistério da Igreja manifesta-se aos homens na Palavra, nas obras e na presença de Cristo (ad extra ou para fora de si mesma).

A Igreja, na sua doutrina, vida e culto perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, a sua crença.

A eclesiologia dogmática reflete sobre os grandes princípios doutrinais, a sua essência e ser.

A Eclesiologia prática (pastoral) reflete sobre o que ela deve ser para se concretizar nos seus objetivos.

As ações baseiam-se na identidade, conceito e ideia, que é a eclesiologia existencial ou prática.

O método passa a ser o indutivo.

O GS relembra que a teologia pastoral vive em tensão permanente entre os dados da fé e a realidade. Os teólogos devem investigar os problemas heurísticos e enuncia-los ao Povo de Deus. Faz a ponte entre a revelação e a ação da Igreja de forma científica, concreta e real. O mundo é o “locus theologicus”.

A Igreja deve viver no meio da vida contemporânea, não para dominar a sociedade, nem para dificultar o autónomo desenvolvimento da sua atividade, mas para iluminá-la, sustentá-la e consolá-la. Realiza o ponto de encontro entre Cristo e o homem.

A Igreja desenvolve a sua doutrina sobre o homem, a sociedade, o mundo e as suas relações comos homens. Debruça-se sobre os aspetos da vida de hoje, as questões e os problemas mais urgentes da sociedade humana. Apresenta elementos permanentes (transcendentes) e dá atenção a elementos contingentes (imanentes). Compreender, escutar, entender e inovar, nem é democrática nem neutra. É encontro, comunhão, família, peregrinação, comunidade reunida sempre em caminho.

O conceito de Teologia Pastoral, que perdurou durante dois séculos. Começou por tratar do trabalho dos pastores, depois das tarefas intraeclesiais e por fim o diálogo entre o mundo e o compromisso em troca das suas estruturas.

Por vezes, o método foi dedutivo, outras indutivo, umas vezes dogmática outras epistemológica. Rejeita a tese de tratamento de temas dogmáticos. Foi adquirindo autonomia pelo objeto, finalidade e metodologias de estudo. Está ligada aos aspetos da reflexão e práticos.

1.ª abordagem: prática e trabalho dentro da Igreja. Seriam diferentes pastorais as diferentes ações eclesiais. Oposição entre o atuar eclesial e o ser eclesial. A teologia dogmática eclesiológica estuda o ser da Igreja.

Doutrina: no âmbito académico, é imutável e eterna, abstrata e teórica, científica. Faz parte dos assuntos fundamentais

Pastoral: no âmbito das ações, é flexível e histórica, concreta e operante, informativa. Faz parte dos assuntos complementares.

Ambas se implicam e não podem isolar-se uma da outra: a doutrina cairia na especulação e a pastoral na aventura.

A pastoral conjuga o teórico com o prático, a reflexão com a ação necessária para toda a Igreja.

Têm três estratos:

- A pastoral fundamental: a primeira reflexão sobre a ação pastoral é a ação em si mesma. A pastoral é devedora da teologia fundamental, tal como esta não prescinde da pastoral.

- A eclesiologia estuda o ser da Igreja e a pastoral o agir. A pastoral não é mera consequência operativa da eclesiologia, o que se reflete no Vaticano II, à constituição dogmática Lumen Gentium seguiu-se a constituição pastoral Gaudium et Spes.

- Para se chegar à pastoral atual faz-se uma análise à ação da Igreja desde as suas referências básicas: a continuidade da missão de Jesus, a configuração do reino e o destino dessa ação na evangelização do mundo.

A pastoral especial: a análise da pastoral numa situação concreta, inclui a análise fenomenológica das realidades eclesiais pastorais, que deve incluir um conhecimento histórico para se dar uma resposta mais concreta da evangelização; socorre-se das ciências auxiliares que estão ao serviço da teologia e ajudam no caminho metodológico;

A projeção de uma situação nova da ação eclesial. A teologia pastoral tem uma função crítica, dinâmica e dinamizadora no conjunto das realidades eclesiais. A ligação com a teologia prática fundamental é clara.

A teologia pastoral deve projetar o dever ser em tensão com o ser, como função das ciências teológicas e como serviço eclesial que está chamado a prestar.

A programação pastoral é o ponto entre os teólogos e os agentes pastorais. À teologia pastoral não compete por ações em prática, mas indicar linhas de ação.

A pastoral aplicada: do pensamento à ação. Tem como campo a vida correta da Igreja. A pastoral é a ação havendo uma reflexão teológica prévia. Os teólogos pastorais fazem um serviço na edificação concreta da Igreja. O agente de teologia pastoral é o responsável de fazer operativo o que antes foi refletido. É uma correia de transmissão entre o pensamento e a ação.

A Teologia Pastoral tem um âmbito, os estudos teológicos, uma referência próxima, a conceção eclesiológica, uma referência última, a fé da Igreja, um objeto, a ação da Igreja, dois campos, a ação em si mesma considerada ou nas suas realizações históricas concretas, socorrendo-se das ciências auxiliares. A finalidade próxima é a de iluminar a prática eclesial concreta e a finalidade última, a de servir à missão eclesial.

O objeto da Teologia pastoral é a vida pastoral da comunidade cristã.

O objeto formal da teologia pastoral/prática (que perspetivas?)

A ação eclesial, aqui e agora, sob um horizonte hermenêutico de fé.

A Lei da Encarnação vinca a ideia de que deve predominar a fé. A reflexão teológico-pastoral é uma reflexão no âmbito da fé.

O princípio da encarnação une o divino e o humano e assinala de modo único a ação pastoral.

A teologia pastoral é fundamentalmente teológica. O objeto do seu estudo, da Igreja, é de fé e vai estar influenciada pela conceção eclesiológica. A teologia pastoral exerce uma função crítica no interior da Igreja e tem a função de procurar as linhas fundamentais da sua autorrealização.

O conceito prática aparece em Aristóteles, Emanuel Kant e Karl Marx. A teoria e a prática encontram-se em relação e não em oposição.

A ação é o agir do homem com vista a realizar os seus objetivos. A teoria conduz à prática. Põe em prática o que antes foi pensado, a teoria. A prática diz respeito às pessoas e a técnica aos objetos.

Kant afirma que as pessoas têm liberdade. Coloca a prática à frente da teoria, ao contrário de Aristóteles.

Para Karl Marx o desenvolvimento da história é a base do trabalho teórico que faz aparecer o ser humano. Pela história deve-se entender o ser humano. Para ele a prática que importa é a que tem um fim coletivo. A prática teórica é necessária para a prática produtiva.

Para Edgar Morin, o paradigma é o modo de organização e de estruturar o conhecimento num determinado momento da história.

O desafio da Igreja é o de estar num mundo plural.

Uma teoria credível deve ter limites. Uma teoria é um ponto de vista pelo qual vejo uma realidade.

O trabalho teórico tem de identificar o problema e os parâmetros para criar modelos para intervir.

Weber diz que a ação coloca os seres humanos em relação. A Teologia Prática Pastoral deve situar-se entre a teria e a prática. Deve refletir a ação e apoiar a criação de conceitos teóricos, com base na análise da realidade numa perspetiva teológica, de forma a criar um plano de ação, projetos e programas. Tal como aplicar uma análise de swot do plano empresarial para a Igreja (substituindo a parte do lucro negocial pela do bem estar social e moral de todos): identificar e maximizar os pontos fortes, identificar e minimizar os pontos fracos, aproveitar as oportunidades e evitar os desafios ou ameaças.

A metodologia é a ciência da fé, que procura compreender de forma racional e sistemática a verdade salvífica de Deus. A Teologia Prática procura elaborar um pensamento crítico a partir da experiência da fé.

André Beauregard afirma que as ciências humanas fazem parte integrante do discurso teológico porque o diálogo entre os diversos sentidos faz emergir o sentido de Deus.

A análise empírica dispõe de muitas ferramentas e recursos que a Teologia Prática deve integrar na sua investigação, para em troca poder dar o seu contributo na compreensão da realidade.

Os métodos são três: quantitativos, qualitativos e mistos.

Métodos Quantitativos
Métodos Qualitativos
Mistos
Centram-se na descrição e explicação causal da realidade, mas não nos permitem conhecer o significado das respostas obtidas. Não permitem conhecer o sentido que uma prática ou uma crença tem para quem a pratica.
Ganham uma amplitude de amostra.
As respostas são enquadradas num esquema prévio do investigador.
Permitem ao investigador perceber o significado que uma prática tem para o investigado, não se limitando a descrever o fenómeno, mas procurando que o investigador diga o significado que este tem para si. Ganham em profundidade compreensiva. A perceção que o investigador tem à priori cede lugar à que o investigado tem da realidade.
De acordo com o objeto da investigação, procuram tirar o melhor partido de cada um dos anteriores

 

A Teologia Prática recorre, maioritariamente, ao método qualitativo, porque temos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e de ajustar as nossas ações em função das suas expetativas, dando-se primazia a processos de investigação que deem prioridade ao ponto de vista subjetivo. O objetivo do presente estudo era o de compreender a proliferação de sítios de cariz pastoral, com recursos disponibilizados a pensar na missão dos catequistas e no seu trabalho com os catequizandos.

 

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