Teologia
Prática: ciência e objeto
A Eclesiologia Existencial
(fundamentação) é a reflexão teológica sobre o dinamismo vital do e no Corpo
Místico de Cristo, que se exprime na centralidade da palavra de Deus, do credo,
da liturgia e dos sacramentos, na oração da vida e da missão, em contínuo
diálogo com a cultura, as ciências e as outras confissões religiosas, para uma
incessante edificação da comunhão e da universalidade do Corpo Místico de
Cristo.
Reúne os conceitos do que se
considerava ser a Teologia Pastoral e a Teologia Prática, já que a primeira era
acusada de uma excessiva centralidade na figura do presbítero ou do pastor,
enquanto a outra parece assumir uma tendência própria da atualidade: o
pragmatismo, o exagero de dinâmicas e de ações eclesiais. O recurso à analogia
do Corpo Místico de Cristo remonta ao conceito paulino de que a Igreja tem um
caráter comunitário e universal, retomado na renovação eclesiológica da
Teologia Pastoral do final do século XIX, início do séc. XX e no Concílio do
Vat. II, de que todos os crentes e os não crentes fazem parte do Corpo Místico
de Cristo que conduz a sua Igreja, enquanto cabeça do mesmo corpo.
O corpo de Cristo enquanto ser
(essência) e agir (existência) da Igreja, entende-se e estrutura-se pela
centralidade na palavra de Deus, na voz de Deus que fala ao ser humano, no credo
e na resposta humana a Deus, pautada pela Tradição e pelo Magistério da Igreja,
na liturgia e na celebração dos sacramentos confiado à administração da Igreja
e no compromisso dos cristãos de continuarem a obra salvífica de Cristo na
história, na vida humana, na missão ou evangelização do Corpo de Cristo (ad intra) e para o Corpo de Cristo (ad extra).
O Corpo de Cristo é a realidade
analógica para dizer a Igreja, evitando o naturalismo da humanidade de Cristo e
o misticismo da sua divindade. Torna a Igreja presente na história, cria
diálogo com as ciências humanas (filosofia, antropologia, psicologia e
sociologia) e com as confissões religiosas.
Metaforicamente a Eclesiologia
Existencial é o ato de dar as mãos, o abraço entre Deus e a humanidade.
A função da Teologia Pastoral: “O
Senhor é o meu pastor nada me falta” (…) habitarei na casa do Senhor para
sempre”, não existe pastoral sem confiança e sem habitação na casa do Senhor. A
pastoral é para as pessoas.
Para o DV, a missão da Igreja
está em transmitir a revelação realizada por Cristo na história da salvação,
segundo a sagrada escritura, Tradição e pela interpretação do magistério
apostólico.
Para a LG, a cada um é dada a
manifestação do Espírito, todo o povo profético de Cristo recebe a missão de
testemunhar e viver a vida da fé, conforme os dons que o Espírito Santo reparte
por cada um. O mistério da Igreja manifesta-se aos homens na Palavra, nas obras
e na presença de Cristo (ad extra ou
para fora de si mesma).
A Igreja, na sua doutrina, vida
e culto perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, a sua
crença.
A eclesiologia dogmática
reflete sobre os grandes princípios doutrinais, a sua essência e ser.
A Eclesiologia prática
(pastoral) reflete sobre o que ela deve ser para se concretizar nos seus
objetivos.
As ações baseiam-se na
identidade, conceito e ideia, que é a eclesiologia existencial ou prática.
O método passa a ser o
indutivo.
O GS relembra que a teologia
pastoral vive em tensão permanente entre os dados da fé e a realidade. Os
teólogos devem investigar os problemas heurísticos e enuncia-los ao Povo de
Deus. Faz a ponte entre a revelação e a ação da Igreja de forma científica, concreta
e real. O mundo é o “locus theologicus”.
A Igreja deve viver no meio da
vida contemporânea, não para dominar a sociedade, nem para dificultar o
autónomo desenvolvimento da sua atividade, mas para iluminá-la, sustentá-la e
consolá-la. Realiza o ponto de encontro entre Cristo e o homem.
A Igreja desenvolve a sua
doutrina sobre o homem, a sociedade, o mundo e as suas relações comos homens.
Debruça-se sobre os aspetos da vida de hoje, as questões e os problemas mais
urgentes da sociedade humana. Apresenta elementos permanentes (transcendentes)
e dá atenção a elementos contingentes (imanentes). Compreender, escutar,
entender e inovar, nem é democrática nem neutra. É encontro, comunhão, família,
peregrinação, comunidade reunida sempre em caminho.
O conceito de Teologia
Pastoral, que perdurou durante dois séculos. Começou por tratar do trabalho dos
pastores, depois das tarefas intraeclesiais e por fim o diálogo entre o mundo e
o compromisso em troca das suas estruturas.
Por vezes, o método foi
dedutivo, outras indutivo, umas vezes dogmática outras epistemológica. Rejeita
a tese de tratamento de temas dogmáticos. Foi adquirindo autonomia pelo objeto,
finalidade e metodologias de estudo. Está ligada aos aspetos da reflexão e
práticos.
1.ª abordagem: prática e trabalho
dentro da Igreja. Seriam diferentes pastorais as diferentes ações eclesiais.
Oposição entre o atuar eclesial e o ser eclesial. A teologia dogmática
eclesiológica estuda o ser da Igreja.
Doutrina: no âmbito académico,
é imutável e eterna, abstrata e teórica, científica. Faz parte dos assuntos
fundamentais
Pastoral: no âmbito das ações,
é flexível e histórica, concreta e operante, informativa. Faz parte dos
assuntos complementares.
Ambas se implicam e não podem
isolar-se uma da outra: a doutrina cairia na especulação e a pastoral na
aventura.
A pastoral conjuga o teórico
com o prático, a reflexão com a ação necessária para toda a Igreja.
Têm três estratos:
- A pastoral fundamental: a
primeira reflexão sobre a ação pastoral é a ação em si mesma. A pastoral é
devedora da teologia fundamental, tal como esta não prescinde da pastoral.
- A eclesiologia estuda o ser
da Igreja e a pastoral o agir. A pastoral não é mera consequência operativa da
eclesiologia, o que se reflete no Vaticano II, à constituição dogmática Lumen Gentium seguiu-se a constituição
pastoral Gaudium et Spes.
- Para se chegar à pastoral
atual faz-se uma análise à ação da Igreja desde as suas referências básicas: a
continuidade da missão de Jesus, a configuração do reino e o destino dessa ação
na evangelização do mundo.
A
pastoral especial:
a análise da pastoral numa situação concreta, inclui a análise fenomenológica
das realidades eclesiais pastorais, que deve incluir um conhecimento histórico
para se dar uma resposta mais concreta da evangelização; socorre-se das
ciências auxiliares que estão ao serviço da teologia e ajudam no caminho
metodológico;
A projeção de uma situação nova
da ação eclesial. A teologia pastoral tem uma função crítica, dinâmica e
dinamizadora no conjunto das realidades eclesiais. A ligação com a teologia
prática fundamental é clara.
A teologia pastoral deve
projetar o dever ser em tensão com o ser, como função das ciências teológicas e
como serviço eclesial que está chamado a prestar.
A programação pastoral é o
ponto entre os teólogos e os agentes pastorais. À teologia pastoral não compete
por ações em prática, mas indicar linhas de ação.
A
pastoral aplicada:
do pensamento à ação. Tem como campo a vida correta da Igreja. A pastoral é a
ação havendo uma reflexão teológica prévia. Os teólogos pastorais fazem um
serviço na edificação concreta da Igreja. O agente de teologia pastoral é o
responsável de fazer operativo o que antes foi refletido. É uma correia de
transmissão entre o pensamento e a ação.
A Teologia Pastoral tem um
âmbito, os estudos teológicos, uma referência próxima, a conceção
eclesiológica, uma referência última, a fé da Igreja, um objeto, a ação da
Igreja, dois campos, a ação em si mesma considerada ou nas suas realizações
históricas concretas, socorrendo-se das ciências auxiliares. A finalidade
próxima é a de iluminar a prática eclesial concreta e a finalidade última, a de
servir à missão eclesial.
O objeto da Teologia pastoral é
a vida pastoral da comunidade cristã.
O
objeto formal da teologia pastoral/prática (que perspetivas?)
A ação eclesial, aqui e agora,
sob um horizonte hermenêutico de fé.
A Lei da Encarnação vinca a
ideia de que deve predominar a fé. A reflexão teológico-pastoral é uma reflexão
no âmbito da fé.
O princípio da encarnação une o
divino e o humano e assinala de modo único a ação pastoral.
A teologia pastoral é
fundamentalmente teológica. O objeto do seu estudo, da Igreja, é de fé e vai
estar influenciada pela conceção eclesiológica. A teologia pastoral exerce uma
função crítica no interior da Igreja e tem a função de procurar as linhas
fundamentais da sua autorrealização.
O conceito prática aparece em Aristóteles, Emanuel Kant e Karl Marx. A teoria
e a prática encontram-se em relação e não em oposição.
A ação é o agir do homem com
vista a realizar os seus objetivos. A teoria conduz à prática. Põe em prática o
que antes foi pensado, a teoria. A prática diz respeito às pessoas e a técnica
aos objetos.
Kant afirma que as pessoas têm
liberdade. Coloca a prática à frente da teoria, ao contrário de Aristóteles.
Para Karl Marx o
desenvolvimento da história é a base do trabalho teórico que faz aparecer o ser
humano. Pela história deve-se entender o ser humano. Para ele a prática que
importa é a que tem um fim coletivo. A prática teórica é necessária para a
prática produtiva.
Para Edgar Morin, o paradigma é
o modo de organização e de estruturar o conhecimento num determinado momento da
história.
O desafio da Igreja é o de
estar num mundo plural.
Uma teoria credível deve ter
limites. Uma teoria é um ponto de vista pelo qual vejo uma realidade.
O trabalho teórico tem de
identificar o problema e os parâmetros para criar modelos para intervir.
Weber diz que a ação coloca os
seres humanos em relação. A Teologia Prática Pastoral deve situar-se entre a
teria e a prática. Deve refletir a ação e apoiar a criação de conceitos
teóricos, com base na análise da realidade numa perspetiva teológica, de forma
a criar um plano de ação, projetos e programas. Tal como aplicar uma análise de
swot do plano empresarial para a Igreja (substituindo a parte do lucro negocial
pela do bem estar social e moral de todos): identificar e maximizar os pontos fortes, identificar e minimizar
os pontos fracos, aproveitar as oportunidades e evitar os desafios ou ameaças.
A metodologia é a ciência da fé, que procura compreender de forma
racional e sistemática a verdade salvífica de Deus. A Teologia Prática procura
elaborar um pensamento crítico a partir da experiência da fé.
André Beauregard afirma que as ciências humanas fazem parte
integrante do discurso teológico porque o diálogo entre os diversos sentidos
faz emergir o sentido de Deus.
A análise empírica dispõe de
muitas ferramentas e recursos que a Teologia Prática deve integrar na sua investigação,
para em troca poder dar o seu contributo na compreensão da realidade.
Os métodos são três:
quantitativos, qualitativos e mistos.
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Métodos
Quantitativos
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Métodos Qualitativos
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Mistos
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Centram-se
na descrição e explicação causal da realidade, mas não nos permitem conhecer
o significado das respostas obtidas. Não permitem conhecer o sentido que uma
prática ou uma crença tem para quem a pratica.
Ganham
uma amplitude de amostra.
As
respostas são enquadradas num esquema prévio do investigador.
|
Permitem
ao investigador perceber o significado que uma prática tem para o
investigado, não se limitando a descrever o fenómeno, mas procurando que o
investigador diga o significado que este tem para si. Ganham em profundidade
compreensiva. A perceção que o investigador tem à priori cede lugar à que o
investigado tem da realidade.
|
De
acordo com o objeto da investigação, procuram tirar o melhor partido de cada
um dos anteriores
|
A
Teologia Prática recorre, maioritariamente, ao método qualitativo, porque temos
a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e de ajustar as nossas ações
em função das suas expetativas, dando-se primazia a processos de investigação
que deem prioridade ao ponto de vista subjetivo. O objetivo do presente estudo
era o de compreender a proliferação de sítios de cariz pastoral, com recursos
disponibilizados a pensar na missão dos catequistas e no seu trabalho com os catequizandos.
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